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terça-feira, janeiro 19, 2021

Apresentem os passaportes

As empresas brasileiras que esperavam a retomada das obras no Comperj para tentar tirar o pé da lama levaram um balde de água fria. Informa o site Petronotícias que a Petrobras convidou apenas empresas estrangeiras – 30 – para participarem da licitação da Unidade Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo Petroquímico do Rio, única obra prevista para o Plano de Investimentos 2015-2019. Se as companhias nacionais quiserem participar, terão que se associar às internacionais. É mais um capítulo da destruição das empresas brasileiras, um dos efeitos – não se sabe se colaterais – da Operação Lava Jato e do cerco à Petrobras. Uma estratégia que o Brasil não pode aceitar, e que nenhuma nação soberana admite.

Ainda nesta terça, foi noticiado que a alemã Siemens participará da modernização da primeira seção da linha 1 do metrô de Lima, Peru. O que tem um caso a ver com o outro? Foi um executivo da Siemens que, em 2008, denunciou o esquema de propinas e superfaturamento nos trens paulistas, escândalo conhecido como trensalão tucano. Posteriormente, a Siemens decidiu procurar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para delatar a existência do cartel. Apesar da confissão, a empresa segue operando, pois a Alemanha sequer pensou em asfixiar a empresa como punição.

Acreditar que companhias estrangeiras são um antídoto à corrupção é tentar ver o mundo com olhos de Poliana. Não precisa ir longe: nos autos da Lava Jato constam nomes de várias multinacionais associadas a empreiteiras nacionais. Todas – as primeiras – seguem realizando negócios como sempre.

Democrata

O Mario Soares que conheci foi um dos líderes políticos mais importantes dos processos de saída do autoritarismo”, relembra Maurício Dias David, do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL. “Em abril de 1974 em estava vivendo em Berlim, mais propriamente a chamada Ost-Berlin (a Berlim Oriental). Havia ali chegado vindo dos campos de concentração do Chile de Pinochet, após uma breve passagem pela Suécia. Por esta época convivemos com um jovem português que havia procurado refúgio na Alemanha, como forma de escapar do recrutamento para o serviço militar de seu país.”

Nosso amigo português não cabia em si de contentamento quando chegaram as primeiras notícias do levante militar dos capitães de abril. Tão logo pode, tratou de retornar a Portugal. Aí comecei a escutar falar em Mário Soares, o advogado português que vivia exilado em Paris e que havia procurado o apoio da social-democracia europeia para fundar o Partido Socialista Português”, prossegue David.

A chegada de Mario Soares a Lisboa foi apoteótica, com milhares de pessoas saudando-o nas ruas. O novo regime dos capitães de abril fê-lo ministro das Relações Exteriores. Não foram fáceis os primeiros meses pós-abril de 74. Ainda no auge da Guerra Fria, e com o velho Partido Comunista ainda sob o domínio de uma estrutura de tipo stalinista, Portugal esteve caminhando por meses no fio da navalha. Mario Soares jogou um papel decisivo para que a opção portuguesa, afinal, fosse pela integração no espaço político e econômico europeu, dentro de uma perspectiva democrática.”

Com a influência de Mario Soares, Portugal abriu as portas aos exilados brasileiros, “levando o regime militar no Brasil a perceber, pela primeira vez, que também estava condenado”. “Arraes, Brizola, Fernando Henrique, sempre tiveram fortes laços com Mário Soares. Sobre isto posso dar algum testemunho, pois ajudei na aproximação entre Brizola e os socialistas portugueses. Acompanhei diretamente muitas das movimentações visando aproximar as lideranças do movimento democrático dos dois lados do Atlântico”, salienta. “Que seu nome viva para sempre no coração dos democratas brasileiros.”

Baixa

As centrais sindicais realizarão nesta quarta nova manifestação contra os juros altos. O ato, às 10h30, em frente a sede do Banco Central em São Paulo, na Av. Paulista, acontece na mesma data em que o Copom (Comitê de Política Monetária) divulga a primeira taxa Selic do ano.

Rápidas

A Fundação Getulio Vargas promoverá o seminário “Economia política e governança das rendas do petróleo: discutindo as perspectivas de gestores e eleitores”. Durante o evento, serão apresentados os resultados preliminares de pesquisa realizada em 15 municípios do Rio de Janeiro para apurar o nível de informação e as preferências dos eleitores sobre a aplicação dos royalties do petróleo. Inscrições gratuitas: http://www.fgv.br/eventos/?P_EVENTO=3071&P_IDIOMA=0 *** Domínio do inglês é o item primordial para participar do curso de Intérprete de Conferência online oferecido pelo Brasillis Idiomas, a partir de 21 de março. Mais informações em (21) 2512-3697 *** O projeto Samba no Pátio, do Shopping Jardim Guadalupe (RJ) inicia 2017 com show do grupo Nova Edição, dia 13, a partir das 19h *** A RSA, empresa da Dell Technologies, anunciou que Rohit Ghai foi nomeado o novo presidente global.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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