Apressadinho

Diferentemente do que o ministro Pedro Malan tem propagado, a rapidez inusual com que foi fechado o acordo com FMI, longe de respaldar o discurso pró-fundamentos firmes da economia, reforça os temores mais agudos sobre o nível de fragilidade das contas externas do país. Resta agora, Malan revelar aos nacionais o que o Fundo exigiu dos seus comandados por aqui em troca da liberação relâmpago de US$ 15 bilhões.

Denorex
Na Internet, nem tudo é o que aparenta ser. Há coisa de duas semanas correu o mundo a notícia da prisão do programador russo Dmitry Sklyarov. A acusação é que ele teria violado um software de segurança do e-book (livro eletrônico) da gigante norte-americana Adobe. O caso ganhou destaque como violação dos direitos individuais e ataque à democracia. Pressionada pela “comunidade virtual”, a Adobe retirou a queixa, mas mesmo assim o russo continua preso, pois o processo passou a correr independentemente da vontade do acusador. Só que o que parece ser um ataque à liberdade na Internet pode não ser bem assim. Artigo publicado na conceituada revista especializada Seybold, dos EUA, diz que esse caso é diferente por uma importante razão: Sklyarov e a companhia para a qual trabalha tiveram lucro com a venda do programa que quebrou a proteção do soft da Adobe. Ao vender o programa, o russo, segundo o artigo, deixou de ser um advogado das causas de direitos pessoais e passou a ser um pirata.

Debate
O deputado estadual Noel de Carvalho (PSB-RJ) defende que o partido promova debates entre os pré-candidatos ao governo do Rio de Janeiro. Ele próprio um dos postulantes, Noel considera-se o candidato da unidade, por seu trânsito político dentro do PSB e com outros setores da sociedade.

Reforço
A decisão do Iraque de retomar as exportações de óleo cru, no início de julho, após uma interrupção de cerca de um mês, ajudou a elevar a produção da Organização do Países Exportadores de Petróleo (Opep) para 26,94 milhões de barris/dia mês passado. Houve incremento de 870 mil barros/dia em relação aos 26,07 milhões de barris/dia produzidos em  junho, segundo dados da Platts, a divisão de informações sobre mercado de energia da The McGraw-Hill Companies. O aumento da produção deve contribuir para manter estabilizado o preço do barril. A Agência Internacional de Energia (AIE), porém, reviu para cima sua previsão para a demanda mundial de petróleo: 76,39 milhões de barris diários, para 2001, e  77,18 milhões de barris diários, para 2002. A cotação do tipo brent fechou a semana cotado a cerca de US$ 26 para os contratos futuros de setembro no mercado londrino.

Leilão
A Previdência realiza nesta segunda-feira, às 15h, leilão de dois imóveis pertencentes ao advogado Paulo Fernando Batista, condenado a seis anos de reclusão por peculato. A ação penal é a mesma que apanhou outros fraudadores do INSS, como Jorgina de Freitas e Ilson Escóssia da Veiga. Os imóveis ficam em Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio) e no município vizinho de Duque de Caxias. O leilão será no Fórum da Capital.

Sem verbas
Manifestação nesta segunda-feira reúne médicos, estudantes e entidades em protesto contra o corte, feito pelo SUS, de verbas destinadas ao Instituto de Ginecologia da UFRJ. O hospital foi acusado de cobrar exames de pacientes particulares e suspenso por 180 dias. A comunidade médica afirma que o instituto cobrava apenas de pacientes externos e fora do horário de atendimento do SUS. Com os R$ 1,2 mil arrecadados mensalmente, comprava remédios, equipamentos e passagens, complementando as parcas verbas oficiais. O argumento dos que defendem o hospital é que dia 9 passado o Senado aprovou projeto que permitirá hospitais universitários atender pacientes de planos de saúde privados, num reconhecimento de que os recursos repassados pelo governo são insuficientes para manter as instituições ligadas a universidades.

Voz rouca
O início dos primeiros cortes de energia de consumidores que, embora adimplentes com as concessionárias, não cumpriram as metas impostas pelo governo causador da incúria, deve produzir fenômeno que muitos julgavam impossível: aumentar ainda mais a impopularidade do presidente FH. Pela indignação e pelos comentários ouvidos nas ruas dos atingidos, esfolamento em praça pública é a punição mínima exigida para o renitente ocupante do Planalto.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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