Aprofundar o caos

“As reformas e ajustes fiscais na América Latina resultaram em maior vulnerabilidade da região. Além disso, o número de pobres na América Latina é excessivo.” A constatação em tom confessional foi feita pela economista Eliana Cardoso, do Banco Mundial (Bird), durante o VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe e o XIII Congresso Brasileiro de Economistas, no Rio. Apesar do diagnóstico, Mrs. Bird segue recomendando o aprofundamento do desmonte do Estado, em particular do apetitoso setor da Previdência.
Pobre banca
Quando comparado aos investimentos do banco, o novo foco retórico de combate à pobreza do Bird mostra que a instituição tem critérios pouco ortodoxos na escolha de suas prioridades. Do total de US$ 1,939 bilhão emprestados ao Brasil este ano, US$ 1,375 bilhão (31% do total) foram destinados à saúde do setor financeiro, contra US$ 1,375 bilhão (18%) para financiar a proteção social.

Homenagem
Foi lançada ontem a edição peruana do livro Los Retos de la Globalización, que reúne 30 ensaios em homenagem ao economista Theotônio dos Santos, secretário de Relações Internacionais do Estado do Rio de Janeiro. O lançamento ocorreu no Congresso dos Economistas, que se realiza no Hotel Glória. Theotônio é professor da Universidade Federal Fluminense e membro do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL.

Lentidão
O cliente da Credicard que precisar de algum tipo de informação de urgência pode ir tirando o cavalo da chuva. A gravação eletrônica do teleatendimento pelo 0800-784428 manda aguardar um pouco. Propaganda enganosa. Ontem, por exemplo, um repórter do MONITOR MERCANTIL tentou por mais de uma hora falar com a empresa e não conseguiu: uma vez que o repórter ficou esperando na linha por mais de 30 minutos sem ser atendido. Para piorar a situação, ainda foi obrigado a ficar escutando uma música sofrível enquanto esperava a boa vontade dos atendentes, o que não aconteceu. Rapidez, pelo visto, só na hora de cobrar a fatura.
Alta
A mesma Credicard reajustou em 25% o seguro que oferece para quem perder o cartão. Não se sabe que índice usou para chegar ao percentual, já que nada foi comunicado aos clientes. Talvez seja pela variação do dólar.

Caça-fantasmas
Faltam apenas 19 dias para terminar o prazo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou para regularizar no Cadastro Nacional de Eleitores a situação dos 6,531 milhões de títulos que não registraram votos nas três últimas eleições e que são passíveis de cassação, a partir de novembro próximo. Apesar de o trabalho ter começado desde o dia 6 do mês passado, apenas 70 mil eleitores procuraram os cartórios até agora para resolver as pendências. Quem tiver dúvida se o título está normal ou não pode recorrer à Internet (www.tse.gov.br) e digitar o número do título. Servidores públicos em falta com a Justiça Eleitoral poderão ter seus vencimentos suspensos e os estudantes bolsistas perderão o respaldo financeiro. Os faltosos também ficam impedidos de tirar passaporte ou carteira de identidade, pegar empréstimos em bancos oficiais, participar de concorrências e renovar matrículas estudantis. Técnicos do TSE admitem que grande número dos faltosos deve ser por morte não comunicada pelos cartórios civis. Outras falhas acontecem, também, em decorrência de justificativas errôneas nas agências dos correios. Boa parte, ninguém duvida, são de fantasmas, criados para eleger os caciques de plantão.

Honrado
O Senado decidiu apresentar votos de pesar à família do coronel Carlos Magno Cerqueira, assassinado terça-feira no Rio. O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ), que fez o requerimento para envio das condolências, lembrou o papel ativo desempenhado pelo coronel na área de segurança púbica do estado, como secretário da Polícia Militar. “Era um homem absolutamente honrado e de convivência afável, admirado por todos”, afirmou o Senador.

Desnacionalização
A abertura unilateral do sistema financeiro nacional aumentou a internacionalização do setor no país. Segundo pesquisa do vice-presidente do Corecon-RJ, Reinaldo Gonçalves, em 94, dos 50 maiores bancos do país, apenas sete eram estrangeiros. Em 97, os estrangeiros já tinham 15 instituições nessa lista, passando para 20 até abril do ano passado.

Má companhia
A autorização para empresas estrangeiras manter contas bancárias em dólar no Brasil é ainda mais preocupante quando aparecem os argumentos dos seus defensores. Ricardo Pinton, gerente financeiro da BG International – antiga British Gas -, lembra que na Argentina e no Chile esse tipo de conta já existe há muito tempo. Os argentinos devem amargar este ano queda no PIB superior a 4% e o Chile completa terceiro semestre consecutivo de redução da produção.

Livro aberto
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) considerou um grande avanço a aprovação do projeto que estabelece a quebra de sigilo bancário e obriga a Receita Federal a fazer revisões periódicas nas declarações de imposto de renda para pessoas que ocupam cargos eletivos. Para Saturnino, todos os representantes eleitos tem obrigação de dar o exemplo no sentido de tornar suas vidas públicas transparentes. Esse passo adiante ainda revela, segundo o senador, uma preocupação com o futuro do país.

Defensiva
A maré mudou. Antes arrogantes e autosuficientes, os defensores da política tucana estão sendo obrigados a sair para o debate, tentando responder a propostas feitas por economistas do porte de Celso Furtado ou Luiz Gonzaga Beluzo. Acostumados ao pensamento único, faltam aos neoliberais argumentos, o que acaba levando a uma análise simplista ou a divulgação de dados de origens desconhecidas. Nesse ritmo, vão acabar conseguindo provar que a estatística é a arte de mentir usando números.

Clandestinidade
A elevada participação do trabalho informal na força de trabalho total é um dos aspectos que explica o baixo índice de desemprego no Rio de Janeiro. A análise foi feita por Ademir Figueiredo, do Dieese, no Congresso de Economistas, que se realiza no Hotel Glória. Ele citou dados de pesquisa sobre trabalho informal coordenada pelo secretário Municipal do Trabalho, André Urani. Chama atenção o fato de que em uma favela carioca chegou-se a percentual de 54% de trabalhadores na informalidade.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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