Apropriação

Na segunda-feira, os governadores terão reunião com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para cobrar o repasse de dinheiro para ressarcimento das perdas de arrecadação dos estados – devido à Lei Kandir – que deveriam ter sido liberados neste ano e estão retidos para bancar os juros mais altos do planeta. Além disso, será solicitada inclusão na previsão orçamentária de pelo menos R$ 9 bilhões para compensação no ano que vem. O total devido pela União a estados e municípios, em 2005, era de R$ 9,4 bilhões. Foram liberados apenas R$ 5,4 bilhões.

Roto & esfarrapado
O governo Lula tem gasto, em média, mais R$ 40 bilhões/ano com juros do que o governo FH o fez. O cálculo é de quem conhece a matéria, não apenas de ouvir dizer, mas de fazer: o PSDB. De acordo com estudo da assessoria técnica do tucanato na Câmara, Lula gasta 60% a mais do que FH torrou com pagamento de juros da dívida pública.
Sempre de acordo com cálculos do PSDB, os R$ 40 bilhões/ano que superam a gastança tucana seriam suficientes para construir cerca de 5,1 milhões de casas populares/ano, pondo, praticamente, fim ao déficit habitacional brasileiro, que as pesquisas estimam entre 5 milhões e 6 milhões de unidades. Com a sobra que restaria com o retorno ao padrão tucano pró-banca, também seria possível aumentar para 72 milhões o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família.

Rei da banca
Utilizando estimativas do próprio governo Lula, o PSDB calcula que os encargos da dívida custarão ao país, este ano, 6,6% do produto interno bruto (PIB), ou cerca de R$ 127,1 bilhões. Se esse cálculo se confirmar, Lula se tornará o presidente que mais esterilizou dinheiro com juros desde o pós-guerra. O tucanato confessa que, na média dos oito anos do governo FH, a gastança com juros consumiu 3,69% do PIB, tendo recuado para 3,1% no último ano da gestão tucana, em 2002.
Já nos três primeiros anos da administração Lula dedicados a cevar a banca os gastos financeiros saltaram para 5,87% do PIB, em média. Isso significa, nos cálculos tucanos, que enquanto Lula “torra quase R$ 130 bilhões com juros”, os investimentos não chegam a 10% desse valor: apenas R$ 7 bilhões em 2004, quase a metade dos R$ 13 bilhões investidos por 65% das prefeituras brasileiras.

Estupra mas não mata
Além disso, alerta o PSDB, como dos R$ 127 bilhões previstos para gastos com juros este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2005 prevê dotação de “apenas” R$ 110 bilhões, isso significa que o ministro Palocci e os seus devem desviar mais R$ 17,1 bilhões, via cortes em investimentos e custeio, para saciar os gastos com especuladores e rentistas. O estudo reafirma que, fora do governo, o tucano sabe detectar os efeitos sobre o país e a vida dos brasileiros provocados pelo aprofundamento da política herdada pelo PT. Ainda que reivindique, como atenuante, que o aprofundamento dela seja ainda mais pernicioso do que sua aplicação original.

Mãozinha
Antes dos seus, o governo deve agradecer à oposição chapa branca a eleição de Aldo Rebelo (PCdoB-AL) para a presidência da Câmara dos Deputados. Ao superestimar suas forças e fazer da deposição de Severino Cavalcanti (PP-PE) um cavalo de batalha, PSDB/PFL forneceram ao governo a chance de recompor minimamente sua base e eleger Aldo. Esse, porém, está longe de ser erro isolado nos cálculos eleitorais da oposição café com leite. Ao poupar a política econômica e restringir seus ataques à área política e moral do governo, tucanos e pefelistas querem impor ao eleitorado uma escolha de Sofia ou entre seis e meia dúzia. E, como demostra a história, entre o estabelecido e sua cópia, geralmente – e à falta de outras alternativas – se opta pelo primeiro, mesmo que a segunda se reivindique mais original.

Presente
O engenheiro Osvaldo Nobre, autor do livro Brasil: País do Presente, faz palestra nesta sexta-feira no Auditório da Escola Naval (próximo ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio), a partir de 13h30. Colaborador habitual do MM, Nobre apresentará aos militares alternativas para que o país retome seu destino de grande Nação.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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