Apurar, apurar…

Já está na hora de a imprensa brasileira fazer um levantamento comparativo entre as previsões da agências classificadoras de risco e o mundo real, num prazo, digamos, de um ano. Em tempo, como contribuição ao debate, esta coluna sugere que se procure o deputado Delfim Netto (PPB-SP), detentor de livro com previsões róseas dessa gente sobre os Tigres Asiáticos, publicado poucos dias antes de a crise asiática começar a pipocar, em julho de 1997.

Inquietações de Lessa
Reitor eleito da UFRJ, o professor e economista Carlos Lessa, que também presidente o conselho editorial do MM, mantém-se antenado com os acontecimentos extra-campus. Ele defende que o governo brasileiro tenha atitude mais agressiva na coordenação de uma proposta sul-americana de defesa da Argentina. Com isso, o Brasil confirmaria sua liderança no continente, beneficiando os interesses do país nos fóruns internacionais, de vez que teria a América do Sul sob sua liderança, incluindo nesse processo o estreitamento de relações com a Venezuela para construção de um eixo Brasília/ Caracas, em função do petróleo, com a Petrobras atuando em conjunto com a Petróleo Venezuela: “O Brasil tem uma chance diplomática única para se firmar como líder do continente, em função do atual cenário macroeconômico”, prega o professor com seu habitual entusiasmo e eloqüência.
Para Lessa, a economia brasileira corre sério risco de ser contaminada pela crise da Argentina, apesar de alguns oráculos insistirem em que a taxa de câmbio flutuante teria “descolado” o país dos problemas econômicos vividos pelo vizinho. Os indicadores industriais do Brasil, na sua opinião, apesar de serem melhores do que os da Argentina, apontam tendência negativa, em função do crescimento das dívidas externa e pública.
“É evidente que essa crise nos afeta. As exportações ficam prejudicadas, o mesmo acontecendo com o refinanciamento da dívida externa, além de crescer o sentimento de risco do país nos grandes organismos internacionais. Por isso, está ocorrendo essa reavaliação de risco. Tudo isso é reflexo da crise Argentina”, adverte.
O economista lembra ainda que o cenário internacional estreita cada vez mais os espaços de manobra para uma economia brasileira, caso essa se mantenha fortemente dependente de financiamento externo para fechar suas contas. A crise da Argentina, aliada à recuperação medíocre da economia norte-americana e à ameaça de uma crise no setor petrolífero mundial apontam para um cenário de dificuldades crescentes para a economia brasileira. As eleições de outubro são uma oportunidade ímpar de mudança de 180º nessa caminhada para o abismo.

Ritmo
Manchete do MM, em 26 de abril passado, a notícia de que o governo decidiu proibir Furnas de comercializar a energia de Itaipu acabou na primeira página do prestigiado jornal Valor…ontem.

Liberdade
Hoje, é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Nesta data, se comemora o 11º aniversário da Declaração de Windhoek, redigida por jornalistas africanos, em 1991, em defesa de uma mídia livre, independente e pluralista naquele continente e em todo o mundo.
No Brasil, a comemoração é liderada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), em consonância com a Associação Mundial de Jornais (WAN). Como liberdade de imprensa está longe de se confundir com liberdade de empresa, o Brasil tem fortes motivos para lutar para que os princípios que animam a data sejam transformados em realidade.

Alvo
A dar continuidade à política de cabo eleitoral de José Serra e estender aos demais candidatos da oposição as respostas a ataques do pré-candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao tucano, o presidente FH corre sério de ver transformado no principal foco da campanha. Para pré-candidatos, como Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB), não pode existir anabolizante eleitoral mais poderoso do que polarizar publicamente com um presidente desgastado e impopular.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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