Aqui se faz. Aqui se pega

Está anunciado o Grande Salto para trás na qualidade de vida dos brasileiros. Jogar lixo demais nas urnas dá nisso. Estamos nos superando; já criamos generais que “fazem saúde”, não a guerra. Criamos deputados que agridem o próprio Congresso, ladrão de vacina etc.

 

Isolamento social e indicadores econômicos

Parceria firmada entre a Unicamp (São Paulo) e a Universidade do Texas resultou em estudo, denominado “The short-term impacts of coronavírus quarantine in São Paulo: The health-economy trade-offs”, transformado em artigo, publicado no periódico Plos One.

Coordenada pelo professor Alexandre Gori Maia (Instituto de Economia/Unicamp), a pesquisa aponta que, nos 104 municípios do estado de São Paulo que concentraram 91% dos casos registrados de infecção por Covid-19, observados entre março e junho de 2020, o maior rigor de municípios, aplicado através de medidas de distanciamento social, não resultou em desempenho econômico inferior aos demais.

Rigor no distanciamento é entendido aqui, como os índices de isolamento social que foram obtidos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Já os indicadores de impactos econômicos levados em consideração foram a arrecadação no município do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e os dados de empregos formais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Além disso, verificou-se também que os efeitos do isolamento social são mais eficientes quando aplicado regionalmente, não só por um ente isoladamente.

 

Expectativa de vida cai

Covid-19, “a gripezinha” deixa um legado amargo, segundo o IBGE. Pela primeira vez, desde que a expectativa de vida do brasileiro é aferida (1940), houve uma perda. De um ano, podendo chegar até a dois. Em 1940, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de 45,5 anos. A partir de então, a redução da mortalidade infantil, entre outros fatores, fez este número crescer. Em 1980, chegou a 62,5 e, no ano 2000, a 69,8.

Em novembro de 2020, números mais recentes divulgados pelo IBGE, a expectativa de vida do brasileiro (homens e mulheres) ao nascer alcançou 76,6 anos. A violência urbana funciona como um freio de mão puxado, contendo o crescimento da expectativa de vida dos homens, vítimas mais frequentes de homicídios. Comprova-o a observação da expectativa de vida das mulheres, mais alta, de 80,1 anos.

Outro legado importante refere-se à educação. A assimetria educacional, que caía há pelo menos 40 anos, voltou a subir durante a pandemia, por conta das dificuldades que muitos alunos tiveram, sobretudo os mais pobres, para prosseguir nos estudos.

O fosso que separa mais ricos e mais pobres no acesso à internet é mais um desafio. Conforme estimativas de 2018, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 16% dos alunos do ensino fundamental (4,35 milhões) e 10% dos alunos do ensino médio (780 mil) não têm acesso à Rede.

São aqueles a quem o economista Marcelo Neri chamou de “Geração Covid.”

 

Todos Pela Educação: mais inação

“O 5º Relatório Bimestral de Execução Orçamentária do Ministério da Educação (MEC), produzido pelo Todos Pela Educação, evidencia a baixa capacidade de execução do orçamento pela pasta, cortes nas despesas para Educação Básica e falta de planejamento no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para gerir o limite de pagamentos da autarquia. O estudo traz ainda o início da execução do Programa Educação Conectada e a positiva, porém insuficiente, movimentação de R$ 525 milhões, remanejados de outras ações, destinados às escolas para os preparativos de volta às aulas.”

“O MEC parece estar em sono profundo nos últimos dois anos. Com alguns lapsos de atividade, gasta recursos e esforços no que não é de sua alçada e faz nada ou muito pouco para apoiar as redes de ensino no enfrentamento dos efeitos da Covid-19. Até aqui, temos contado com maior atenção às pautas de Educação no Congresso Nacional e nos estados e municípios, mas ainda não o suficiente. Se não podemos contar com o Governo Federal na Educação, esses demais atores precisam se mobilizar ainda mais”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.

“A Educação Básica possui o menor nível de execução orçamentária em todas as análises realizadas no relatório (despesas obrigatórias, discricionárias e emendas parlamentares), portanto, ainda que o atual governo afirme ser uma prioridade da sua gestão, os números demonstram o oposto. O pior cenário está nas despesas discricionárias, aquelas não-obrigatórias, com apenas 15% de pagamento – é a pior taxa dessa década para o período. As despesas obrigatórias (69%) e emendas parlamentares (10%) têm o pior nível de execução em comparação com Ensino Superior e Educação Profissional.

“No início de novembro, o Congresso Nacional aprovou os Projetos de Lei do Congresso Nacional (PLNs), enviados pelo Governo Federal, que propunham um corte de R$1,1 bilhão no orçamento destinado à Educação Básica. Para as demais etapas, no entanto, houve suplementação de R$862,4 milhões, reduzindo, assim, o impacto total causado pelo corte no ensino básico; o saldo para o MEC como um todo é negativo em R$253,2 milhões. Sem considerar os cortes acima, até outubro, o FNDE já acumulava R$885 milhões em cancelamentos desde o começo do ano. A autarquia concentra 64% dos recursos vinculados à educação básica no MEC” (…)

 

#Vacina Sim

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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