ARACRUZ CELULOSE

Lucro no segundo trimestre cresce 38%
Vendas crescem 23% e batem recorde, ao totalizarem 832 mil toneladas
A Aracruz Celulose obteve no segundo trimestre de 2007 lucro líquido de R$ 318,5 milhões, resultado superior em 38% ao registrado no mesmo período do ano anterior. O volume de vendas alcançou nível recorde de 832 mil toneladas, 23% maior do que no primeiro trimestre do ano. Os preços líquidos de celulose mostraram melhora de 5% e 2%, em dólares, em relação ao segundo trimestre de 2006 e ao primeiro de 2007, respectivamente. A combinação de maior volume de vendas e alta dos preços, em dólares, elevou a receita líquida a R$ 980 milhões.
O Ebitda ajustado do trimestre, que incluiu 50% do valor da Veracel e desconsidera os efeitos contábeis que não afetam a geração de caixa, chegou a R$ 430 milhões, comparado a R$ 416 milhões do primeiro trimestre de 2007. A diferença deveu-se, principalmente, ao maior volume de vendas.
As vendas de celulose da Aracruz no segundo trimestre alcançaram recorde, totalizando 832 mil toneladas, 23% e 15% superior ao primeiro trimestre deste ano e ao segundo trimestre de 2006, respectivamente: 692 mil produzidas nas Unidades Barra do Riacho e Guaíba, 139 mil pela Veracel e 1 mil referentes a 50% das vendas diretas da joint venture.
A Aracruz, incluindo 50% da Veracel, produziu no segundo trimestre 763 mil toneladas de celulose, volume 4% menor que o do segundo trimestre de 2006, devido ao impacto da parada para manutenção na fábrica “B” da Unidade Barra do Riacho (ES), que ano passado foi realizada no terceiro trimestre. A parada para manutenção anual de 10 dias das fábricas “A” e “C” está planejada para o próximo trimestre, quando será realizada a finalização do projeto de otimização da unidade. Na Unidade Guaíba (RS), a parada anual para manutenção ocorrerá no quarto trimestre de 2007.
De acordo com o relatório da Aracruz, o cenário de celulose de mercado continua positivo, com embarques até maio ultrapassando os níveis de 2006, segundo o relatório World-19 do Conselho de Produtos de Papel e Celulose (PPPC). No acumulado de janeiro a maio de 2007, quando analisamos por tipo de fibra de celulose, o eucalipto, com crescimento de 10% (390 mil toneladas) em relação ao ano anterior, continua apresentando a melhor performance de todas as fibras de celulose de madeira, em termos absolutos.
Nos últimos cinco anos a fibra de eucalipto cresceu a uma taxa média anual de 9%, a melhor performance entre todas as fibras de madeira. Este crescimento reflete a preferência entre produtores de papel de imprimir e escrever e papeis sanitários pelas características da fibra de eucalipto.
A menor disponibilidade de produto tem sido conduzida por fatores que ainda podem influenciar o mercado no curto prazo. Entre eles estão as dificuldades contínuas no suprimento de celulose, devido a escassez de madeira (que pode se agravar com o aumento das tarifas para exportação de madeira na Rússia), tentativas de alguns produtores integrados de comprar celulose de mercado, e paradas para manutenção; a valorização do euro e do dólar canadense em relação ao dólar americano – que impacta diretamente a estrutura de custo -, e greves, principalmente no Canadá. Na Europa, a maior região consumidora de celulose de mercado, os estoques de celulose de fibra curta, que em janeiro de 2004 situavam-se em 35 dias, terminaram o mês de maio com 23 dias de abastecimento.
Pelo terceiro ano consecutivo, as expectativas do mercado foram revertidas em relação à curva de preços da celulose. Em maio, foi anunciado mais um aumento de preços para todas as regiões, efetivo a partir de junho. Com isso, o preço lista para a Europa alcançou US$ 700/t, um aumento de 43% em relação ao preço de US$ 490/t de outubro de 2004.
Ao final deste segundo trimestre, a Aracruz manteve a proteção da exposição do fluxo de caixa contra a valorização do real, com uma posição vendida em dólares na BM&F equivalente a US$ 550 milhões, ou aproximadamente 9 meses de exposição do fluxo de caixa. Os resultados são reconhecidos como receita financeira. A operação de derivativos cambiais (contratos de dólar futuro) acumulada no ano, até o mês de junho, representou um ganho de cerca de R$ 113 milhões, e seria equivalente a aproximadamente R$ 36/t.
No último trimestre, a companhia teve seu rating elevado pela agência de classificação de risco Standard & Poor”s, de “BBB-” para “BBB” (o segundo degrau na escala de classificação como grau de investimento). De acordo com o comunicado da agência, que incorporou em sua avaliação uma tendência positiva no longo prazo para a indústria brasileira de papel e celulose, a elevação do rating da Aracruz refletiu o longo histórico de forte desempenho financeiro e de qualidade creditícia da empresa, aliado à redução do risco-país no Brasil.
O prazo médio de amortização da dívida da companhia, incluindo a participação na Veracel, aumentou de 48 meses, no final do 2º trimestre de 2006, para 65 meses em junho. No final do mesmo mês, o caixa da companhia correspondia a 3,8 vezes a dívida de curto prazo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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