Araújo pede para sair

“Ernesto por Ernesto não dá”. A reação é da senadora Katia Abreu (PP-TO), que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao pedir a saída e indicação de nome para substituir o ministro Ernesto Araújo, cujo pedido de demissão ainda aguarda aceitação do presidente Jair Bolsonaro, Entre possíveis substitutos está o diplomata Luís Fernando Serra, embaixador do Brasil na França,

A preocupação com um possível processo de continuidade da atual política exterior, que vem sendo rejeitada pela grande maioria do Congresso, deve-se ao fato de que Serra chegou a ser cotado para cargo no início do governo, pelo seu alinhamento à ala ideológica da família Bolsonaro e defender fortemente o governo no exterior. O senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi relator da sabatina de Serra na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Além de referendar o respaldo diplomático ao enfrentamento com o governo francês sobre questões ambientais e desmatamento na Amazônia, no ano passado o embaixador se mostrou indignado com a atenção da França à morte da vereadora Marielle Franco, do que o homicídio do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel e do que a facada contra o então presidenciável Jair Bolsonaro.

Mas na possível lista de candidatos ao comando do Itamaraty não está restrita a nomes com formação diplomática, ao aparecer mais um militar e com grande grau de importância. Trata-se do almirante Flávio Rocha, atual secretário-executivo do Ministério das Comunicações. Trata-se de uma área de governo que Bolsonaro valoriza mais o nível de confiança que a formação.

Ernesto Araújo, para pedir demissão do cargo já vinha sendo questionado por todos os Poderes da República, principalmente por parlamentares, que o criticaram por falhas nas relações diplomáticas que teriam prejudicado a aquisição de vacinas contra a Covid-19, pediu demissão do cargo durante um encontro com o presidente Jair Bolsonaro fez uso de um artifício nada recomendado em diplomacia: mentira. No domingo divulgou nas redes sociais o conteúdo de uma conversa reservada com a senadora Kátia Abreu durante um almoço no Itamaraty, insinuando que ela teria feito lobby em favor do 5G da China, deixando de lado o problema das vacinas.

“Em 4/3 recebi a senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final disse: ‘Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado’. Não fiz gesto algum”, escreveu Araújo em sua conta no Twitter (https://twitter.com/ernestofaraujo).

“Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria” complementou.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, retuitou os ataques feitos pelo chanceler à senadora na noite de domingo. A atitude foi lida como apoio do filho do presidente ao diplomata.

Katia Abreu considerou uma “violência” resumir o conteúdo da conversa em um tuíte. “É uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade. Em um encontro institucional, todo o conteúdo é público. Defendi que os certames licitatórios não podem comportar vetos ou restrições políticas”, afirmou a senadora, que disse ter alertado “esse senhor” dos prejuízos que um veto à China na questão 5G poderia dar às nossas exportações, especialmente para o setor do agronegócio. “Defendi também que a questão do desmatamento na Amazônia deve ser profundamente explicada ao mundo no contexto da negociação para evitar mais danos comerciais ao Brasil”. Sem citar o nome de Araújo, Kátia escreveu no Twitter que há interesse em “desviar o assunto pra tirar o foco do que é mais importante: vacinas e vida” “Desviar o assunto pra tirar o foco do que é mais importante: Vacinas e vidas! Vamos voltar ao fogo rápido. Não farei o jogo deles”.

“Se um Chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado da República de seu próprio país, com explícita compulsão belicosa, isso prova definitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira. Temos de livrar a diplomacia do Brasil de seu desvio marginal”, concluiu Katia Abreu.

A afirmação de Ernesto Araújo deixou senadores revoltados. Kátia Abreu classificou o ministro como “a face de um marginal” que viveria “à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições”. Um pedido de impeachment estava sendo preparado na manhã desta segunda-feira por um grupo de senadores revoltados com a atitude de Araújo.

No fim da manhã desta segunda-feira, Araújo se reuniu com secretários no Itamaraty e logo após foi para o Palácio do Planalto e se reuniu com o presidente, acompanhado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e de Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência. O chanceler afirmou que não queria ser um problema para o presidente. Expectativa, porém, é de que Bolsonaro aceite o pedido de demissão.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), lamentou a criação da celeuma. “No momento em que há um grande esforço para a pacificação e o entendimento, lamento muito que justamente o responsável por nossa diplomacia venha a criar mais um contencioso político para as instituições. O Brasil e o povo brasileiro não merecem isso”, escreveu no Twitter.

O senador Weverton (PDT-MA) disse que “já passou da hora de Ernesto Araújo ser demitido do Itamaraty” e que ele, para se manter no cargo, abre uma guerra de fake news contra senadores: “Encurralado pela péssima gestão à frente da política externa brasileira, principalmente na compra de vacinas, Ernesto Araújo tenta se manter no cargo abrindo uma guerra de fake news contra senadores sérios como @KatiaAbreu”, escreveu Weverton na mesma rede social.

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