Área de oncologia movimenta R$ 50 bilhões no Brasil

Cerca de 625 mil novos casos de câncer são diagnosticados por ano

Fundada em 2010, a Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. (Oncoclínicas) obteve, nesta sexta-feira, da Fitch Ratings, pela primeira vez, atribuição de Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA (bra) e Perspectiva do rating estável. Considerado bastante pulverizado, o mercado de oncologia movimenta R$ 50 bilhões no Brasil, dos quais a Oncoclínicas detém 4%.

O rating reflete o posicionamento da companhia no competitivo segmento de oncologia no Brasil. A perspectiva estável mostra a expectativa de que a Oncoclínicas manterá sua estratégia de crescimento, que deve resultar em alavancagem financeira líquida próxima a 3,5 vezes em 2022, segundo critérios da agência, migrando para cerca de 2,5 vezes em 2023 – nível forte para o atual rating.

O relatório da agência de classificação de risco de crédito destacou que o setor de oncologia apresenta demanda crescente, com 625 mil novos casos de câncer diagnosticados no Brasil por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Até 2040, este número pode ser 66% maior, devido ao envelhecimento populacional. A maior parte dos tratamentos é custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dada a ainda baixa taxa de cobertura da população pelos planos de saúde – cerca de 25% do total.

A Oncoclínicas possui contratos de exclusividade de longo prazo (acima de 20 anos) com algumas fontes pagadoras, mas atualmente cerca de 55% de suas receitas estão concentradas em cinco operadoras de saúde. “A expectativa é que a companhia dilua essa concentração nos próximos anos, à medida que firme novas parcerias”, ressalta o relatório.

A Oncoclínicas possui escala mediana na indústria de saúde, estando exposta à competição com participantes maiores, mais capitalizados, com portfólio de serviços mais diversificado e alto poder de barganha junto a clientes e fornecedores. Ao final de março de 2022, a empresa contava com 129 unidades em 13 estados mais o Distrito Federal (DF).

A empresa mostra estratégia de crescimento, principalmente via aquisições, e tem o desafio de ser bem-sucedida na integração dos novos ativos, a fim de fortalecer suas margens operacionais no médio prazo. De junho de 2018 a dezembro de 2021, adquiriu 14 empresas e participações minoritárias remanescentes em controladas, desembolsando R$ 673 milhões, financiados por uma combinação de aportes de capital do acionista controlador e dívida. Em 2022, a companhia deve desembolsar cerca de R$ 1,1 bilhão em aquisições, sendo a mais relevante a da Unity Participações S.A. (Unity), por R$ 558 milhões, concluída em julho. As transações serão financiadas pelos recursos líquidos remanescentes da oferta pública inicial de ações (IPO) realizada em agosto de 2021, no montante de R$1,7 bilhão. O cenário-base não incorpora aquisições acima de R$150 milhões a partir de 2023.

A Oncoclínicas deve operar em novo patamar de rentabilidade a partir de 2022, considerando a maturação dos investimentos realizados e ganhos de escala. A Fitch projeta Ebitda, excluindo os efeitos da IFRS-16 de acordo com a metodologia da agência, e demais despesas não recorrentes com plano de incentivos de ações e aquisições, de R$ 618 milhões em 2022 e R$ 1,0 bilhão em 2023, com margens de 16% e 17,1%, respectivamente. Em 2021, o Ebitda foi de R$ 349 milhões e a margem, de 12,9%, ainda pressionada pelas recentes aquisições.

A agência prevê que as maiores despesas financeiras e necessidade de capital de giro devem limitar maiores avanços, este ano, no fluxo de caixa das operações (CFFO), que deve ficar em R$166 milhões, e R$442 milhões em 2023. A expectativa é que o fluxo de caixa livre (FCF) seja negativo em R$61 milhões em 2022, retornando a patamares positivos (R$85 milhões) em 2023, após investimentos médios anuais de R$ 270 milhões no biênio, que inclui investimentos em expansão orgânica. A Fitch considerou distribuição de dividendos de 25% do lucro líquido do ano anterior a partir de 2023.

As aquisições esperadas devem pressionar o índice dívida líquida/Ebitda, conforme cálculo da agência, para 3,5 vezes em 2022. Em 2023, espera-se redução para 2,5 vezes. O rating captura a estratégia da Oncoclínicas de continuar com seu crescimento via aquisições, preservando a alavancagem financeira líquida abaixo de 3,5 vezes.

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