Argentina fecha acordo para pagamento da dívida

Fernández: 'foram dois anos de queda da economia, de 25 mil empresas fechadas e uma pobreza que chegava a 40% '.

Internacional / 18:22 - 4 de ago de 2020

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O Governo da Argentina chegou a um acordo com um grupo de credores, nesta terça-feira, para quitar os cerca de US$ 66,3 bilhões em dívidas não pagas do país no exterior. Em um comunicado conjunto do Ministério da Economia e de três grandes grupos credores, foi ressaltado que “houve uma redução significativa do ônus da dívida”.

A República Argentina e os representantes do Grupo Ad Hoc de Credores Argentinos, o Comitê de Credores da Argentina e o Grupo de Credores, além de outros credores, chegaram hoje (4) a um acordo que lhes permitirá apoiar a proposta de reestruturação da dívida e conceder à Argentina um alívio significativo”, diz o comunicado.

De acordo com o presidente Alberto Fernández, o acordo significava para o país “US$ 37,7 bilhões a menos do que teremos que pagar nos próximos dez anos”, enquanto que em relação ao que a Argentina prometeu pagar nos próximos cinco anos, representa “um alívio de US$ 42,5 bilhões”.

Em julho, Fernández havia feito uma quarta oferta aos credores, depois que as três primeiras foram recusadas. A proposta consistia em reconhecer US$ 53,50 de cada US$ 100 dólares de dívida. A proposta também foi rejeitada pelo credores que pediram o valor mínimo de US$ 56,50, totalizando uma diferença de US$ 3 bilhões a mais. O governo argentino negou e disse que era “o máximo esforço que o país poderia fazer”. Porém, no acordo desta quarta-feira, o país alterou os valores reconhecidos, chegando a US$ 54,80.

Fernández observou que, desde o primeiro momento, deixou claro que não permitiria “que essa dívida adiasse mais uma vez as necessidades dos argentinos, que já são muitas”, em um contexto de “dois anos de queda da economia, de 25 mil empresas fechadas e uma pobreza que chegava a 40%”.

A Argentina ainda terá pela frente negociações com o FMI, depois de tomar emprestado US$ 44 bilhões desde a crise cambial em 2018, buscando adiar o pagamento da dívida em 2021-23, evitando medidas de austeridade.

O presidente argentino observou que o acordo com os credores permitirá à Argentina alocar mais recursos para impulsionar a produção e o desenvolvimento. O anúncio foi feito no relançamento do plano Procrear (para a construção, reforma e expansão de residências). Ele afirmou que esses tipos de planos podem ser executados “sem as enormes restrições à dívida. O objetivo que estabelecemos para nós mesmos alcançamos”, comemorou.

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