Argentina

Em 1991, 9% dos argentinos viviam abaixo do nível de miséria. Dez anos depois, esse número foi multiplicado por cinco, chegando a 45%.

Propaganda & realidade
Mais do que uma vitória do Brasil e de José Serra que possa impulsionar sua candidatura para os dois dígitos nas pesquisas, o reconhecimento político na 4ª Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada quase clandestinamente no Catar, do direito de países quebrarem patentes de remédios é o resgate de uma visão de Estado cuja prática continua, em sua essência, sendo negada pelo governo tucano. Sem tirar méritos efetivos de Serra, o amplo apoio angariado à proposta mostra a diferença abissal entre propaganda e realidade. Defensores das excelências do livre mercado, tucanos, quando postos diante da dura prova dos fatos, se vêem obrigados a arquivar os dogmas de seus manuais e praticar políticas que seu fundamentalismo considera restritas ao mundo dos hereges.
Sem Papai Noel
O reconhecimento dessa contradição fundamental não serve apenas para marcar posição, mas, principalmente, para dar consequência aos avanços políticos e ideológicos conseguidos. Até porque, como toda declaração de princípios, a de Catar tem longo chão a percorrer entre o papel e a sua aplicação. Os bilionários interesses que envolvem a indústria farmacêutica são fortes o suficiente para dissuadir até os mais ingênuos de que, nem a proximidade do Natal, deve, nessas questões, despertar crenças tão fortes em Papai Noel.

Questão de fé
Depois de anunciar nova rodada de revisão para baixo nas previsões do organismo que dirige para a economia mundial, o diretor-geral do FMI, Horst Köeler, afirmou que, apesar de as estatísticas reservarem à América Latina crescimento simbólico de 1,7% este ano e no próximo, não existiria risco de colapso. Isso se deveria, assegura Köeler, à decisão do FMI de continuar assessorando esses países a continuarem a implementar as atuais políticas. Pode ser até que Köeler não esteja ligando o nome à pessoa, mas tal fé no mercado, enrubesceria até um crédulo como Bin Laden.

Parcial
Pesquisa da consultoria A.T. Kearney que mostra que 51% das empresas brasileiras são favoráveis à Alca deve ser encarada com ressalvas. Além de ter sido feita em parceria com a Amcham-SP e demais câmaras americanas de comércio de toda a América Latina, a pesquisa ouviu apenas 250 executivos, sendo que 45% de companhias multinacionais (destas, 60% norte-americanas).

Massacre na Bolívia
O MST denuncia que, em 9 de novembro, no núcleo de camponeses sem terra Pananti, dez trabalhadores foram mortos e 15 ficaram gravemente feridos depois que um grupo de paramilitares apoiados pela polícia e por forças do Exército invadiram um dos 18 acampamentos de sem-terra brasileiros na Bolívia. De acordo com o MST, os paramilitares já haviam invadido o local diversas vezes e as autoridades locais tinham sido informadas dessas ações.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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