Armadilha

Segundo o economista Dércio Munhoz, da Universidade de Brasília (UnB), está preocupado com os rumores de que o governo trabalharia com a hipótese de vincular a taxa básica de juros (Selic) à remuneração da poupança para impedir a migração dos investimentos para esta última, quando a Selic for reduzida: “É uma armadilha, que fará a população torcer contra a queda da Selic, aliando-se aos especuladores”, alerta Munhoz.

Mal maior
O economista da UnB prefere defender o fim da Selic: “A Selic faz parte de um mal maior, que é atrair e reter no Brasil o dinheiro de especuladores”, frisa Munhoz, que foi presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), acrescentando que uma eventual queda da remuneração da poupança vai aumentar o lucro dos agentes financeiros repassadores de recursos da caderneta para financiamentos imobiliários.

Aviso
Para o economista Miguel Bruno, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), a promessa que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez ao FMI de, se necessário adotar até o controle de capitais para evitas a entrada excessiva de dólares no país pode ser retórica ou não: “Mas o fato é que hoje não se faz nada sem avisar antes”, salientou, acrescentando que Mantega pode estar “testando a reação do mercado”, para o caso de, eventualmente, o Brasil vir a adotar controles sobre os capitais especulativos.

Traído
A informação é do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, deputado federal pelo PR. Segundo Garotinho, que diz ser sua fonte “um deputado do PT próximo a Lula”, o ex-presidente estaria se sentindo “traído e magoado” com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), por não ter sido avisado das ações da Delta, que, apesar de deter contratos bilionários com a União, patrocinaria dois dos principais inimigos de Lula e do PT: o governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) e o ex-líder do DEM no Senado Demóstenes Torres.

Bobo
Ainda segundo a narrativa que diz ter ouvido do deputado petista e reproduziu em seu blog, Garotinho sustenta que Lula e Cabral teriam tido uma conversa ríspida, na qual o governador teria negado conhecer as ligações da Delta com Carlinhos Cachoeira: “Cabral com tudo o que você me pediu para fazer por esse cara (Fernando Cavendish, presidente da Delta), com a intimidade que você tem com a família dele e com ele, querer que eu acredite que você não sabia do envolvimento dele como Demóstenes, é achar que eu sou bobo”, teria dito Lula, deixando Cabral “constrangido e nervoso”.

Vindo para a Caixa
O movimento nas agências da Caixa Econômica Federal deve aumentar ainda mais fortemente nesta terça-feira, quando a Caixa começa a abrir às 9h. Segundo funcionários do banco estatal, desde o anúncio da redução dos juros, cresceu o fluxo de clientes. A maioria, porém, é pessoa física visando a renegociar dívidas a taxas menos salgadas.

Punir a doença
A decisão do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, de cortar em 10 bilhões de euros o orçamento de Saúde e Educação foi duramente criticada pelo coordenador federal da Izquierda Unida IU), Cayo Lara: “A medida busca punir a doença e romper a igualdade educativa”, decretou Lara, criticando ainda Rajoy, por atribuir o corte à falta de recursos: “Não é verdade, sim há recursos, o que há muito tempo é um governo que não se atreve a enfrentar os problemas de maneira séria.”

Taxar os ricos
O líder de IU defende que o governo enfrente a crise pelo aumento dos investimentos e da luta contra o mercado negro e a fraude. Lara pede ainda o retorno dos impostos que existiam até uma década e meia, a cobrança de impostos corporativos e novas alíquotas do imposto de renda para as faixas salariais mais elevadas, bem como taxar os paraísos fiscais das Sicav (sociedades de investimento coletivo de capita variável), e aplicar integralmente o impostos sobre patrimônio. “É preciso sistema de impostos justo”, resume o líder da IU.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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