Arraiá da responsabilidade sociá

As empresas também evoluem conforme o ritmo puxado pela sanfona.

No Brasil, nestes meses de junho e julho, é época de uma das suas festas mais populares, e o País vira quase um só arraiá. No arraiá, mais conhecido por mercado, as empresas também evoluem conforme o ritmo puxado pela sanfona. A dança é inspirada na “quadrille”, daí a denominação quadrilha, dançada na corte francesa no século 19. Todos os passos têm as suas denominações também derivadas do francês.

 

Primeiro passo, Anarriê!

Do francês “en arrière” (para trás). A este comando, o grupo evolui aos pares para o centro de uma roda, onde, ao chegarem, separam-se, caminhando para trás. No arraiá do mercado, cada empresa olha para o seu par e concorrente e pensa: “Se ele vai, eu não vou ficar para trás”, mas quando está chegando ao centro da questão, muitas delas caminham para trás, sorrindo amarelo para a assistência.

 

Segundo passo, Anavan!

Do francês “en avant” (avancem). Este comando indica que homens e mulheres devem avançar, até reencontrarem os seus pares. No arraiá do mercado, a evolução também não é linear, podendo acontecer por determinação ou por arrependimento. O par pode ser concorrente, mas, acima disto, pode ser companheiro. Só a cooperação com ele permite seguir dançando a quadrilha, por muito mais tempo.

 

Terceiro passo, Balance!

Do francês “balancer” (balançar). Comando para que os dançarinos marquem passo, sem sair do lugar. No arraiá do mercado, a disposição de dançar não assegura a evolução dos pares. Acontece de haver esforço, queimar recursos e não sair do lugar. Continuar marcando passo sem evoluir, indefinidamente, no entanto, só como farsa.

 

Quarto passo, Travessê!

Do francês “traverser” (atravessar). A partir deste comando, os pares, divididos em duas colunas, vão até o centro da roda, formam um trançado e, daí, seguem para o lado oposto ao que estavam inicialmente. No arraiá do mercado, empresas que se proporcionam as possibilidades do trançado da diversidade, chegam mais longe.

 

Quinto passo, Tur!

Do francês “tour” (giro). Com este comando, o homem abraça a cintura da dama que, por sua vez, coloca o braço no ombro dele e, juntos, dão uma volta. No arraiá do mercado, a realização do giro também depende da aproximação entre as partes interessadas.

 

Sexto passo, Changê de dame!

Do francês “changer de dame” (trocar de dama). Este é o comando para que o círculo se movimente, com a alternância na formação dos casais. No arraiá do mercado, só com as trocas de valores entre partes interessadas, a empresa consegue se movimentar.

 

Último passo, À La Vonté!

Do francês “a (la) volontê” (à vontade). Este é comando que realiza a diversão para quem, até aqui, cumpriu a marcação de todos os passos. No arraiá do mercado, é a diferença entre brincar à vontade ou dançar. Quem observou os procedimentos de valorização da diversidade e interagiu com as partes interessadas brinca à vontade. Quem não observou, dança.

 

Rendimentos iguais para mesmas funções

O sonho da equivalência dos salários de homens e mulheres quando exercem as mesmas tarefas parece ter sido alcançado na Comunidade da Farinha, da Associação de Moradores, em Canavieira, lugarejo na região de Senhor do Bonfim ao Norte da Bahia.

A região produz mandioca da melhor qualidade, que depois de convertida em tapioca transforma-se em beijus coloridos, tão cobiçados que, para adquiri-los na barraca da Associação na feira livre que acontece aos sábados, é necessário chegar antes das 8h. Depois deste horário, já estão vendidos.

As mulheres que dão suporte â produção conquistaram o direito de escolher se querem receber a paga pelo trabalho em moeda ou em produto. Aí está o nó da questão, recebendo em produto não é possível instituir duas remunerações diferentes uma da outra. E o produto tem liquidez de moeda na região. A remuneração dia, em moeda, é de R$ 40, e em produto é de R$ 100. Tradição de transmissão oral do saber não inibe a introdução de inovações (como o beiju colorido e o quebradinho, entre outros).

Toda mulher, pelo dia de trabalho, tem direito a 20 quilos de farinha seca. Consegue um retorno sobre esta quantidade de farinha de R$ 100 ou de R$ 150, se transformar em beijou colorido.

E da mandioca só não se aproveita o berro, parodiando o que se diz sobre o boi. Ela fornece a fécula, o polvilho doce, o polvilho azedo, a farinha e a tapioca.

Paulo Márcio de Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

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