Arrogante & submisso

A destituição do embaixador Maurício Bustani da direção-geral da Organização Internacional para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), revela até aonde os Estados Unidos pretendem levar seus planos belicistas contra o Iraque. Ao mesmo tempo, mostra quanto de complacência guarda a tímida ação do governo FH em defesa da ação não submissa de Bustani ao bushismo.

Lições francesas
A passagem de Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais na França deveria ajudar a abrir o olho de Luiz Inácio Lula da Silva sobre as conseqüências que se anunciam para o pragmatismo despolitizado que parece ter assaltado o comando da candidatura presidencial petista. Apenas analistas dos tipos produzidos em certa estufa e que tratam tucanos como “progressistas” levados por mero pragmatismo a se aliarem com os “atrasados” do PFL são incapazes de perceber que a derrota de Lionel Jospin representa  dura condenação do mercado eleitoral às concessões extravagantes do PS ao neoliberalismo. E olha que Jospin ainda manteve pudores consideráveis se comparado a Tony Blair, por exemplo.
Também é impossível creditar o conjunto da votação de Le Pen – nem grande parte dela – a uma súbita virose fascista de que tivessem sido acometidos os franceses. Na verdade, ainda que recorrendo à demagogia mais deslavada, o líder da Frente Nacional conseguiu canalizar parte da insatisfação do eleitorado com as conseqüências da aplicação de políticas neoliberais.
A demagogia fascista se dá, em grande parte, justamente por debitar a atores secundários e de menor visibilidade, como os imigrantes, a fatura do elevado desemprego do país. Não é espantoso que parte importante do eleitorado não tenha elementos para compreender o conjunto do processo político e econômico. No entanto, é inacreditável que parte considerável dos analistas finge não perceber o recado da urnas canalizado, canhestramente, para oportunistas de plantão.

Ociosidade
A proposta do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Sebastião do Rego
Barros, de exigir da Petrobras a venda de refinarias e outros ativos, foi criticada pelo deputado federal Luciano Zica (PT-BA). O parlamentar sustenta sua crítica lembrando a dificuldade de investimentos para o setor de refino. “Não há no mundo perspectiva para construção de refinarias. O que há é um parque ocioso nesse setor”, salienta.

SPB
Pelo menos um aspecto acabou ficando mal explicado em função da reviravolta que, na prática, poucos dias antes da entrada em funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiros (SPB), fez com que o uso da Transferência Eletrônica Disponível (TED) se restringisse a valores a partir de R$ 5 milhões, e não mais R$ 5 mil. A Febraban alegou oficialmente que o valor mais elevado daria mais tranqüilidade ao funcionamento do sistema. O Banco Central informou que o novo piso representaria mais segurança operacional. Nem o governo federal e nem os banqueiros comentaram, porém, as conseqüências de o SPB funcionar sem que a câmara de liquidação dos bancos (CIP) estivesse pronta para operar se o valor mínimo fosse mantido em R$ 5 mil. A CIP entrará em atividade em meados de maio, e está em fase de testes.

De novo?
O  presidente  da  Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando  Bezerra  (PTB-RN), divulga hoje, em Brasília, o documento A Indústria e o Brasil: uma Agenda para o crescimento. O documento será  encaminhado aos principais candidatos às eleições presidenciais deste ano. No próximo dia 9, a entidade pretende reunir os candidatos para um debate sobre posições a agenda. O documento foi elaborado por diretores, membros de conselhos temáticos e  técnicos da CNI, a partir de consulta a cerca de 2 mil empresas de todo o país. Contém sugestões sobre os principais temas de interesse do setor industrial, tais como estrutura tributária, política econômica, educação e qualificação profissional, meio ambiente e saúde, entre outros. Resta saber se, apesar das seguidas críticas à política de constrangimento ao desenvolvimento do tucanato, a CNI, mais uma vez, vai embarcar na canoa furada do continuísmo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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