As perdas internacionais, de Adam Smith a Brizola

Brasil é o que mais envia recursos ao exterior sob forma de lucros.

Os dados de taxa de poupança bruta mostram que o Brasil pouco consegue poupar para gerar investimentos. Entre 31 países selecionados pela Análise Econômica Consultoria, o Brasil fica à frente de apenas nove, como Venezuela, Uruguai, Barbados, Suriname e Belize. Na América do Sul, apenas Uruguai e Venezuela poupam menos que o Brasil. Em 2018, o México teve uma taxa de poupança quase 100% maior que a brasileira.

Parte importante da explicação vem do volume de recursos que são canalizados do sistema produtivo brasileiro para o exterior, explica a consultoria no estudo “Como fomentar a inovação no Brasil?” (tema de matéria do Monitor Mercantil semana passada). Segundo dados de 2019, dos países selecionados, o Brasil é o que apresenta maior volume de recursos enviados ao exterior sob forma de lucros para as matrizes das multinacionais que operam no país.

São – parte – das “perdas internacionais”, sempre citadas por Leonel Brizola (1922–2004). E, bem antes dele, por Adam Smith, como mostrou Felipe Quintas em artigo publicado ontem (“Adam Smith contra o liberalismo: o capital produtivo”). O economista britânico já se preocupava com as “perdas internacionais” e defendia que a nacionalização dos centros de decisão econômica, ao manter o trabalho e a riqueza nas fronteiras nacionais, geraria impulsos positivos para dentro.

 

Gaveta

Nesta terça-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, mandou arquivar uma apuração preliminar sobre a conduta do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, ao declarar que o governo deveria “ir passando a boiada” na legislação ambiental.

Um dia antes, Aras decidiu arquivar um pedido para investigar o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio e Eduardo no inquérito das fake news.

Em maio, o procurador-geral arquivou ação contra Bolsonaro por falsidade ideológica, no caso da exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

Fantasma do engavetador-geral da República volta a assombrar a PGR?

 

Vem de longe

Há 170 anos, em 18 de setembro de 1850, Dom Pedro II consolidou a opção brasileira pela concentração fundiária. A Lei de Terras, assinada pelo então imperador do Brasil, passou por um longo processo de discussões para chegar em sua versão final, mostra reportagem de Ricardo Westin, da Agência Senado, parte da série Arquivo S, que explora os registros históricos das sessões da Casa desde o Império. ‘O preço deve ser elevado para que qualquer proletário que só tenha a força do seu braço para trabalhar não se faça imediatamente proprietário comprando terras por vil preço’, foi o parecer do Visconde de Abrantes, político da época”, relata texto republicado pelo jornal El País.

 

Pátria amada

O Pátria Voluntária, liderado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, consumiu R$ 9 milhões dos cofres públicos em publicidade e arrecadou só R$ 10,9 milhões, dos quais R$ 4,3 milhões foram aplicados sem um edital público. Cadê o pessoal da CPI das ONGs?

 

Rápidas

O ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, do TST, e o presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz, participam de webinar nesta próxima sexta, às 11h, a convite do Instituto dos Advogados Brasileiros. Eles falarão sobre “Aspectos jurídicos e efeitos da reparação de cumplicidade com a ditadura – O caso Volkswagen”. O evento será transmitido pelo canal TVIAB no YouTube *** A segunda edição do Fórum Global Learning, realizado pela ABRH Brasil, receberá Fabio Rosé, vice-presidente de RH da L’Oréal Luxe, na França, e Juliana Nunes, líder de RH na Johnson & Johnson, nos EUA. O tema será “Reset a estratégia – a nova realidade começou”. Nesta quinta, 16h30. Inscrições aqui *** A Korsa anuncia parceria com a Associação Brasileira de Transportadores internacionais (ABTI), para proporcionar benefícios exclusivos aos associados. Detalhes aqui *** “Como vender para o grupo Petrobras?” é o cruso que o Ibef-Rio realizará em 14 de outubro, às 18h30. A estatal já iniciou mudanças importantes na Petronect. Informações aqui.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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