As reservas internacionais e a dívida, na visão do BC

Durante a recente campanha, e após ela, muito se falou sobre o custo do carregamento das reservas internacionais e seu peso na formação da dívida pública. O futuro homem forte da economia, Paulo Guedes, chegou mesmo a ventilar que reduziria as reservas do Brasil em moeda forte – um passo arriscado, pois ajudam a garantir uma certa tranquilidade em momentos de crise internacional; permitiram o país passar relativamente bem pela crise de 2008, e teria sido mais tranquilo não fosse a política contracionista implantada por Joaquim Levy e depois aprofundada pelo Governo Temer.

Vejamos o que o Banco Central, insuspeito de ser esquerdista, tem a dizer sobre o assunto, na nota metodológica Fatores condicionantes da evolução da dívida pública, de setembro passado: “Relativamente à evolução da relação Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG)/PIB, destacam-se os aspectos a seguir: de 2000 a 2002, houve elevação da dívida bruta, associada fundamentalmente ao maior gasto com juros e ao impacto da variação cambial sobre a parcela da dívida atrelada ao dólar, fatores parcialmente neutralizados pelo superavit primário do período.

De 2002 a 2011 (nota da coluna: Governo Lula), a trajetória declinante observada na relação DBGG/PIB esteve fortemente associada aos superavit primários do período, o que viabilizou o resgate de dívida interna em mercado e de dívida externa. Adicionalmente, a trajetória da relação DBGG/PIB no período foi favorecida pela queda no custo financeiro da dívida, pela redução do impacto das variações cambiais e pelo crescimento nominal do PIB.

De 2014 a 2017, houve elevação significativa na relação DBGG/PIB, fortemente influenciada pelo deficit primário nas contas governamentais durante o período, demandando emissões líquidas de dívida para seu financiamento. Adicionalmente, contribuíram ainda para o crescimento da relação DBGG/PIB a elevação do custo financeiro e o menor crescimento do PIB no período.

Parcela significativa da expansão da DBGG em bases acumuladas – correspondente a 14,9 pontos percentuais (p.p.) do PIB de 2000 a 2017 – esteve associada à aquisição de ativos de liquidez (reservas internacionais), sem impacto imediato, portanto, no patrimônio financeiro líquido do setor público consolidado.”

Atenção para a observação feita pelo BC: “É importante destacar que, ao longo do tempo, observam-se impactos expansionistas sobre o patrimônio financeiro líquido do setor público oriundos do custo de manutenção das reservas internacionais. Esse efeito expansionista é dado pelo diferencial entre as taxas de remuneração dos ativos externos (reservas internacionais) e as taxas associadas ao custo de esterilização da expansão da liquidez, via operações compromissadas. Todavia, esse impacto no patrimônio financeiro líquido é neutralizado, no todo ou em parte, pelos ganhos cambiais observados no período correspondente.” (grifo da coluna)

 

Pulga e elefante

A proposta orçamentária para 2019 prevê despesas equivalentes a 8,6% do PIB com previdência social e 25,3% com rolagem, amortização e juros da dívida. “Mas para os neoliberais o problema do Brasil segue sendo a previdência”, ironiza o economista Marcio Pochmann.

 

Rápidas

O seminário Desburocratização do Registro de Empresas, realizado pelo Ibef Rio de Janeiro, será dia 29. O secretário-geral da Jucerja, Bernardo Berwanger, falará sobre “Inovações nos Serviços da Junta Comercial”. Informações: (21) 2217-5566 *** A psicopedagoga Eloísa de Oliveira Lima lança dia 23, às 17h, no Dice English Course, na Lagoa, o livro How to acquire a second language: from the beginning of speech, que estará à venda no site da Amazon (https://amzn.to/2CTrP8t) *** O Caxias Shopping receberá nesta terça-feira o grupo de capoeira Besouro para uma roda em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a partir das 16h. Na quarta-feira, é vez do Santa Cruz Shopping, com a oficina “Cabeça Feita”, que ensinará a arte de trançar os cabelos, além de show de jazz e outros. Começa às 12h30 *** No próximo dia 28, será realizada, no auditório da Fiesp, audiência pública para elaborar proposta de projeto de lei referente às informações positivas que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) dispõe para permitir a segmentação dos contribuintes. Mais informações: www.pgfn.fazenda.gov.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Ameaça de demissões expõe crise na Saúde

Piso de menos de 4 SM para enfermagem revela desvalorização.

Qual a parcela de culpa da Ericsson no terrorismo?

Multi sueca é processada por pagar propina no Iraque que teria chegado ao Estado Islâmico.

BC eleva juros, mas inflação segue disseminada

Remédio errado a partir de diagnóstico equivocado.

Últimas Notícias

Fiagros têm captação líquida satisfatória até junho

Esses fundos entraram em operação em agosto de 2021

Vendas financiadas de veículos leves e pesados crescem pouco

Em relação a julho de 2021, no entanto, queda é de 18,8%

Índices influenciaram o mercado nesta semana

Ibovespa encerrou nesta sexta-feira com alta de 2,33%

Petrobras informa sobre venda de direitos minerários de potássio

A Petrobras informa que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (teaser), referente à venda de seus direitos minerários para pesquisa e lavra de...

China aposta no controle da inflação este ano

BPC: condições favoráveis para manter os preços geralmente estáveis