As três grandes prioridades do PC da China em 100 anos de história

Por José Medeiros da Silva.

Apesar de todos os avanços científicos, pouquíssimas pessoas conseguem alcançar 100 anos de idade, principalmente mantendo mobilidade e lucidez. Talvez por causa dessa limitação imposta pela natureza à vida humana, a barreira dos 100 anos ainda nos faz soar como algo extraordinário e grandioso.

E por mais que possamos exercitar nossa imaginação nas grandezas das escalas geológicas e astronômicas, o ciclo de 100 anos é algo humanamente transcendente, como tão bem percebeu o nosso criativo romancista colombiano Gabriel García Márquez no grande clássico Cem Anos de Solidão. Ademais, basta olharmos um pouco pelo retrovisor da história humana recente e logo perceberemos, sensível e inteligivelmente, o peso que tem um século na transformação dos países e dos povos.

Por exemplo, decorridos 100 anos da fundação do Partido Comunista da China (PCCh), em 1921, a China foi capaz de se sair de uma situação econômica e social caótica para se transformar em uma das principais forças econômicas do mundo, melhorando significativamente seu poder nacional e a qualidade de vida do seu povo. A propósito, sem adentrarmos na trajetória histórica do PCCh, fica muito difícil uma compreensão mais profunda dessas transformações, pois o Partido tem sido de fato a grande força orientadora e condutora desse desenvolvimento.

Na procura de uma síntese didática sobre essa trajetória centenária do Partido, cheguei a uma “fórmula” que tem facilitado bastante a organização dos meus estudos tanto do PCCh quanto do desenvolvimento chinês. Essa “fórmula”, chamo-a de “duas fases e três grandes prioridades”.

As “duas fases” dizem respeito ao percurso do Partido nesse seu centenário, quer dizer, antes da sua chegada ao poder (1921–1949) e depois que assumiu o comando do país (de 1949 em diante). Já as “três grandes prioridades” referem-se ao estabelecimento de algumas determinações gerais que, a meu ver, explicam a longevidade do Partido na condução dos destinos do país e a relação de confiança entre este e o povo.

A primeira dessas grandes prioridades está ligada à própria vida do Partido desde o seu nascimento. Trata-se do estabelecimento claro de objetivos mais gerais e permanentes, ou seja, da sua própria razão de ser. Esses objetivos podem ser resumidos em “revitalizar a nação e buscar uma vida melhor para o povo”.

A segunda grande prioridade refere-se a descoberta de um caminho de desenvolvimento próprio, quando o Partido, já no poder, precisava de respostas teóricas e práticas para avançar na concretização desses seus dois grandes objetivos. E como o processo de reforma e abertura iniciado no final dos anos 70, a China pode finalmente encontrar o caminho de desenvolvimento que tanto necessitava, isto é, o socialismo com características chinesas. Desde então, esse caminho passou a ganhar corpo e aperfeiçoar-se para mudar de vez a fisionomia econômica e social da China.

A terceira grande prioridade diz respeito à eliminação da pobreza absoluta, meta essa atingida sob a liderança do presidente Xi Jinping, justamente no centenário de fundação do Partido. Para mim, essa é uma das maiores conquistas da China. Não apenas da China moderna, mas uma das maiores conquistas da nação chinesa nos seus mais de 5 mil anos de história. Vale lembrar que estamos falando de um país com mais de 1 bilhão e 400 milhões de pessoas.

A decisão de colocar o povo e o país entre as prioridades das prioridades; a busca de um caminho de desenvolvimento próprio; e a determinação de eliminar a pobreza absoluta são alguns exemplos que nos ajudam a entender melhor porque nesse momento vemos os chineses celebrarem com tanto entusiasmo o centenário do seu Partido.

 

José Medeiros da Silva, doutor em Ciência Política, é professor na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang. Publicado no Diário do Povo Online.

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