As tristes lições da Reduc

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O vazamento de óleo na Baía de Guanabara e suas conseqüências nefastas para o meio ambiente demonstram uma situação bastante comum no Brasil: a falta de planejamento e prevenção das empresas nas questões ambientais, associada ao descaso do poder público.
Os impactos ambientais gerados pelo acidente são de grandes proporções e os técnicos que analisaram o problema já afirmam que alguns deles levarão, no mínimo, 10 anos para serem superados. Todos saíram perdendo com o episódio. A Reduc (Refinaria Duque de Caxias) teve de pagar multa ao Ibama, fixada em R$ 51 milhões, que será usada para solução de parte dos problemas. Isto sem contabilizar os prejuízos da Petrobras com as ações e os R$ 15 milhões que serão gastos pela empresa diretamente na recuperação da Baía de Guanabara. Por fim, temos ainda a imagem institucional da Petrobras, que foi fortemente abalada junto à sociedade.
Infelizmente, podemos afirmar que sempre há possibilidade, mesmo que pequena, da ocorrência dos acidentes ambientais, principalmente nas empresas que possuem processos industriais de alto risco para o meio ambiente. Uma das grandes questões é identificar as possíveis causas do acidente ambiental da Reduc para que, a partir daí, a empresa possa planejar um sistema de gestão que objetive a melhoria de seu desempenho ambiental e previna ou minimize a probabilidade de ocorrência deste tio de emergência.
Esta filosofia vai ao encontro da norma NBR ISO 14001, que determina um modelo de Sistema de Gestão Ambiental. No mundo, mais de 2.500 empresas já foram certificadas segundo esta norma. No Brasil, este número chega próximo de 200 empresas. Segundo a NBR ISO 14001, o planejamento e a prevenção são fundamentais para garantir e melhorar as condições atuais do meio ambiente.
Gestão Ambiental significa gerenciar adequadamente essas questões dento e fora da organização, trazendo, entre outras conseqüências positivas, a diminuição do risco de acidentes, economia de recursos relacionados a indenizações por responsabilidade civil, controle da emissão de resíduos e redução do consumo de recursos naturais.
Na Reduc, os valores que estão sendo gastos após o desastre poderiam ter sido investidos na sua prevenção, com grande economia para a empresa e sem os impactos ambientais tão indesejáveis. Talvez o vazamento não tivesse ocorrido, caso a empresa possuísse um sistema de gestão ambiental eficaz. Esta, mais que uma atitude politicamente correta, está se tornando uma vantagem competitiva para empresas consideradas “cidadãs”.
Para prevenirmos a ocorrência de novos acidentes, é fundamental o comprometimento e o envolvimento de toda a sociedade com a proteção ao meio ambiente. A população tem que se conscientizar das possíveis conseqüências de agressões ambientais – como as geradas pela Reduc – e exigir das organizações e do poder público ações que evitem a degradação do meio ambiente. Ao consumidor, cabe a responsabilidade de adquirir produtos e serviços de empresas que tenham desempenho ambiental adequado. Somente com esta transformação cultural poderemos garantir uma qualidade de vida melhor para toda a população.
Se queremos viver em paz com o ecossistema e deixar um mundo melhor, mais justo e mais seguro como herança para os nossos filhos e netos, temos que começar a exigir, desde já, direitos como o respeito ao meio ambiente e à vida, assegurados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Que tal aproveitar este lamentável acontecimento para exigirmos que as empresas minimizem a geração de poluição e previnam futuros acidentes?

Ricardo Gross Hojda
Auditor líder da Fundação Vanzolini, especialista em Gestão Ambiental.

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