Ascensão do consórcio atrai empreendedores

O consórcio se destaca entre outros segmentos por se manter próspero mesmo diante do cenário de instabilidade econômica provocado pela Covid-19. Para se ter uma ideia do potencial do setor, de acordo com a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC), em setembro de 2020, foram comercializadas 358,57 mil novas cotas, trata-se do maior volume mensal dos últimos quinze anos. A instituição informa que, no acumulado dos nove primeiros meses, foram comercializados R$ 114,31 bilhões em novas cotas, 18,6% a mais em comparação ao mesmo período de 2019. Além de despertar o interesse de quem quer crédito para alcançar objetivos como, por exemplo, construção de um patrimônio imobiliário ou o aumento da frota de automóveis, o consórcio também atrai quem encara a modalidade como um caminho para empreender.

O Brasil possui cerca de 120 administradoras de consórcios, e a ABAC estima que existam cerca de 200 mil profissionais de vendas de cotas no Brasil. Somente no grupo Ademicon, maior administradora independente de consórcio do país nos segmentos de imóveis e veículos, existem quase mil profissionais ativos, entre colaboradores e consultores de venda, distribuídos em 90 unidades na maioria dos estados brasileiros. O grupo anunciou recentemente a fusão com a Conseg, responsável pela administração do consórcio de marcas como New Holland, Iveco, Librelato, Mitsubishi e Suzuki. Com a movimentação, a Ademicon espera chegar a 200 lojas até o final de 2022.

De acordo com Alexandre Blasi, diretor de Marketing, Rede e Expansão da Ademicon, grande parte dos licenciados do grupo é formada por vendedores que prosperaram a ponto de investir em seu próprio negócio. “São pessoas que começaram comercializando cotas, conquistaram clientela e decidiram empreender assumindo uma unidade própria”, conta. Também faz parte do perfil do licenciado Ademicon ter um negócio familiar, ou seja, administrar a loja em parceria com o cônjuge ou outro parente.

Blasi explica que, para ingressar nesse mercado, o interessado deve ter determinadas competências. “O empreendedor precisa ter experiência comercial, gosto por gestão e um bom network na cidade que deseja atuar. Não há restrição de idade ou formação acadêmica obrigatória, mas é fundamental ter ambição”, afirma o diretor. No caso da Ademicon, é possível abrir unidades de três tamanhos diferentes, dependendo do capital inicial e do mercado local. “Também é necessário ter um plano de negócios, desenvolvido em conjunto conosco”. Segundo Blasi, o ponto de equilíbrio – quando o empresário deixar de aportar capital próprio – é de até 12 meses e o payback – quando começa o retorno sobre o investimento – acontece em até 15 meses. “Todos os valores são alinhados e ajustados de acordo com perfil do empresário e a região”, destaca.

Do mercado bancário para o consórcio – Após uma boa bagagem no mercado financeiro, o administrador de empresa Rodrigo Trevizan decidiu empreender no setor de consórcio de imóveis. Começou a atuar na Ademilar em 2016 e logo teve a oportunidade de abrir sua primeira unidade, em Londrina, no Paraná. Atualmente, ele gerencia duas unidades (Londrina e Goiânia) e já planeja abrir uma terceira, também na capital de Goiás. Para gerir a equipe de 30 pessoas, ele conta com o apoio dos seus sócios e com o suporte da irmã, que oferece retaguardas financeira e administrativa para o negócio, permitindo que ele siga com foco na frente comercial. Trevizan acredita que o consórcio oferece diversas vantagens como forma de empreender, com destaque para o retorno superior à maioria dos investimentos existentes no mercado. Além disso, trata-se de um produto com grande aceitação e que possibilita volume de vendas. A qualidade de vida do licenciado – por conta da flexibilidade característica do negócio – também é outro diferencial destacado por Trevizan. “Eu gosto muito do novo, e a Ademicon, ao me oferecer a oportunidade de empreender em outras cidades, me possibilita apresentar o produto consórcio a outros públicos, formando novos mercados”.

Empreendedora desde criança – Empreender faz parte da vida de Paula Batista desde cedo. Com 12 anos, ela começou a comercializar bombons caseiros que ela mesma produzia. Aos 16 anos, iniciou o trabalho em uma lavanderia, mas a vontade de crescer a fez buscar um novo ramo. Foi indicada por um consultor de vendas para ingressar na Ademilar, há 12 anos, também como vendedora. Depois de sete anos, apareceu a oportunidade de expansão na empresa e ela começou a gerenciar uma unidade. Hoje, Paula está à frente de seis unidades, conduzindo mais de 100 pessoas. É auxiliada pela irmã, seu “braço direito”. A licenciada tem como meta gerenciar 20 unidades, mirando, inclusive, no mercado paulistano. Para isso, vem consolidando o time, formando pessoas para que elas possam expandir junto com ela. Atribui o segredo do sucesso a uma formação de coach feita em 2017, ocasião que ela afirma ter construído uma identidade fortalecedora, que deu mais clareza sobre o propósito de vida desejado. Paula acredita que o consórcio é um dos melhores caminhos para empreender. “Na Ademicon, você tem a possibilidade de crescer individualmente, em equipe e com a empresa”.

De dekassegui a empreendedor de consórcios – Leandro Filipak é um exemplo de dekassegui brasileiro. Foi para o Japão ainda jovem, permaneceu lá por sete anos com o intuito de construir uma reserva que permitisse que ele conquistasse um grande objetivo de vida: empreender. Voltou ao Brasil em 2014 e, dois anos depois, recebeu a indicação para se tornar um consultor de vendas Ademilar, identificando ali uma oportunidade para desenvolver seu próprio negócio. Em menos de cinco anos de atuação na empresa, Filipak já lidera cinco unidades e planeja a abertura da sexta no início do próximo ano. Com o apoio da esposa, que trabalha ao lado dele na gestão das lojas, conduz sua equipe de mais 100 pessoas, entre vendedores e time administrativo. “Entender o consórcio como caminho para empreender é saber que estamos trabalhando com um produto de alta aceitação. Mesmo com as constantes renovações de mercado, sempre haverá clientes interessados em adquirir imóveis e veículos, por exemplo, por meio da modalidade, por conta das vantagens competitivas que ela oferece”.

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