Ascensão dos bancos públicos e queda do PT

Participação estatal no crédito tem auge em 2013 e volta a cair em 2016.

Se uma imagem vale mais que mil palavras, está aí a imagem – e aqui as (bem menos de) mil palavras para ajudar na compreensão. O gráfico mostra a participação dos bancos públicos e privados no estoque total de crédito, a partir de setembro de 2008 (alguém lembrou da crise do subprime?).

A linha mais alta, à esquerda, representa a fatia das instituições privadas, com pouco mais de 66% do mercado naquele ano. Essa participação vai caindo, e consequentemente subido a dos bancos públicos, até que as duas linhas se encontram em meados de 2013 (alguém falou nas Jornadas de Junho?).

A partir dessa data, os bancos do Estado suplantam os particulares e passam a deter mais da metade do estoque de crédito. Chegam ao auge, pouco acima de 55%, no início de 2016 (alguém soprou impeachment, ou golpe, como prefere Temer?), quando então se estabiliza e começa a cair. As duas linhas voltam a se encontrar no primeiro semestre de 2019.

Se precisava desenhar, não precisa mais.

 

Não virá

Comentário feito pelo consultor Eduardo Bassin dá uma ideia da desesperança da elite com o governo e com as cada vez menores perspectivas para o país reagir à crise: “Está claro que a reforma da Previdência não promoverá o crescimento almejado. Reduzir a taxa Selic para 5,5% ao ano, ainda que desejável, não ajudará a aquecer o nível da atividade em função do desemprego elevado e da capacidade ociosa da economia. Isso sem falar no tempo de transmissão do efeito da queda da taxa de juros desde o momento da decisão pelo Banco Central até a mudança no comportamento dos agentes econômicos.”

O que sobra? “Uma ampla reforma tributária, que permita uma simplificação na rotina das empresas e melhoria do ambiente de negócios, conjugadas a diminuição da carga tributária dos atuais 33% do PIB é o mais indicado”, diz Bassin, “mas não há sinais de que algo nesse sentido esteja sendo elaborado pela equipe econômica. A diminuição da carga não virá. Vamos aguardar por uma estrutura tributária menos penosa.”

 

É o achatamento, estúpido

Demorou um final de semana para a imprensa em geral confirmar o que a coluna publicou na sexta-feira passada: o Ministério da Economia deu um passo para não reajustar o salário mínimo pela inflação. Mas a nota já avisava: “Se não conseguir achatar o mínimo, ao menos a equipe econômica pretende desvincular o reajuste das aposentadorias superiores ao piso.”

Nesta quinta-feira, noticia-se que Paulo Guedes e cia. recuaram diante da “repercussão negativa”. Mais alguns dias e verão que a ideia segue, para desindexar os salários e aposentadorias acima do mínimo.

 

Chá da tarde

Entrevistado pela BBC Brasil, Ciro Gomes respondeu a 41 questões. Amazônia? Desemprego? Previdência? Soberania? Não. A pauta se resumiu a “foi pra Paris” e “tá preso, babaca”, 11 meses após a eleição. Bolsonaro agradece à mídia pela oposição presa no “Divã da Esquerda”.

 

Rápidas

O Conselho Regional de Administração (CRA-RJ) vai realizar, dia 26, o Encontro de Administradores (Encad), em Teresópolis. A proposta é discutir tendências e oportunidades na Era Digital. Gratuito, o evento será no auditório da Alterdata *** O Shopping Grande Rio recebe, desta sexta a domingo, festival de vinhos *** A Align Technology, empresa do Vale do Silício que fabrica o sistema Invisalign, participa da Ortonews International em São Paulo. O evento termina neste sábado *** O Financial Times Commodities Americas Summit reúne políticos e executivos para discutir sustentabilidade e outros desafios no mercado de commodities. O evento acontece em 24 de setembro no Copacabana Palace. Mais informações em live.ft.com/Events/2019/FT-Commodities-Americas-Summit-2019-BR

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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