Associação Comercial de SP pede renúncia de Dilma

Política / 15:50 - 17 de mar de 2016

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A Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) manifestam, por meio de seu presidente, Alencar Burti, posição a favor da renúncia da presidente Dilma Rousseff. A decisão foi tomada após consultas aos vice-presidentes da Facesp e, também, aos vice-presidentes e aos superintendentes das sedes distritais da ACSP. Segue abaixo o posicionamento da Facesp e da ACSP na íntegra: Renúncia já O Brasil vive um período sem precedentes de crises: ética, política, de governabilidade, econômica e, sobretudo, social. A paralisia decisória que envolve governo e Congresso produz incerteza que trava as decisões empresariais e a vida das empresas, levando a um processo de deterioração que se aprofunda rapidamente e que já atinge de forma perversa a classe trabalhadora e as famílias. A hora agora é de buscar soluções que possam ser implementadas com a rapidez necessária para impedir que não apenas a economia e o quadro social continuem a se deteriorar, como para evitar que as instituições sejam comprometidas e dificultem a busca de caminhos que preservem a normalidade democrática e levem à punição exemplar de todos os envolvidos nos casos de corrupção. Somente um gesto de grandeza por parte da presidente Dilma poderá propiciar a busca de um entendimento que permita começar a mudar o quadro dramático que o país atravessa: a renúncia. Esse ato não significa se considerar culpada pela crise e pela falta de governabilidade, mas ser responsável pela busca de uma solução. Presidente Dilma, seu passado de lutas, suas convicções e seu amor pelo Brasil serão engrandecidos por essa atitude de desprendimento e de consideração pelo povo brasileiro. Para o bem de todos, renuncie já, evitando um processo de impeachment que irá prolongar as dificuldades do país. Alencar Burti - presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) Após posse, presidente se reúne com Lula, Wagner e Cardozo no Alvorada A presidente Dilma Rousseff está reunida neste momento, no Palácio da Alvorada, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse nesta quinta-feira como ministro-chefe da Casa Civil. Em caráter temporário, porém, a posse de Lula está suspensa por liminar de um juiz federal. Além de Dilma e Lula, estão na residência oficial o Advogado-Geral da União, José Eduardo Cardozo, e o novo ministro da chefia de Gabinete Pessoal da presidente, Jaques Wagner, que deixou a Casa Civil. Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou oficialmente sobre a liminar. Às 15h, o ministro da AGU, José Eduardo Cardozo, concederá uma entrevista a jornalistas sobre o assunto. Ministro diz que ninguém pode ter o monopólio da moralidade Ao discursar na cerimônia de transmissão de cargo, o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse que ninguém no país tem o monopólio da verdade ou o monopólio da salvação da Pátria. Nesse sentido, destacou o novo ministro, será papel do governo garantir que as instituições de Estado implementem a igualdade de todos perante a lei. A declaração de Aragão foi feita um dia após o juiz Sérgio Moro ter tornado públicas escutas telefônicas feitas entre o ex-presidente Lula e diversas autoridades de Estado - entre elas, a presidente Dilma. - Aqui vamos tentar reconstruir pontes. O mais importante é recompor esse tecido esgarçado da alteridade, porque alteridade é pressuposto do nosso convívio - disse, em seu pronunciamento. E acrescentou que "agora, o pressuposto para qualquer dialogo é a horizontalidade; conversar de igual para igual. Todos queremos o melhor para o país. Mas não existe ninguém neste pais com o monopólio da moralidade ou com o monopólio da salvação da pátria." Segundo Aragão, entre as funções da ministério no governo está a de garantir que as instituições de Estado implementem a igualdade de todos perante a lei. - A lei é igual para todos. Não existe quem é mais ou menos qualificado para o pleno gozo das garantias fundamentais. Se essa legitimação é recusada, estamos a um passo do caos. Se é ignorada, passamos para a desclassificação e a exclusão do outro e a sua eliminação, o que dá margem a massacres, genocídios e condutas violentas para a sociedade. Esses são os caminhos para o totalitarismo - acrescentou ao lembrar das dificuldades passadas pelo país após anos de regime militar: "nossa liberdade é uma flor que devemos cuidar todo dia com muito carinho". O ministro da Justiça dedicou parte do discurso para dirigir "uma palavra especial" às corporações que, a seu ver, têm atuado de forma a "manter o seu naco" no Estado. - Infelizmente, nosso Estado tem ao longo dos últimos anos visto uma verdadeira apropriação das instituições por corporações. Corporações não cultivam a alteridade. Corporações cultivam o seu próprio umbigo. Corporações sempre buscam ser melhores do que as outras, mais valiosas do que as outras, e, em última análise, o que está nessa arrogância é nada mais do que o ganho econômico, o ganho de prestígio e o ganho de poder. E prosseguiu: "para sobreviverem e poder manter o seu naco de Estado nas mãos, fazem de tudo. Representam um risco permanente à governabilidade. Não que não possam legitimamente representar os interesses setoriais dos agentes do Estado. Mas elas têm de aprender a viver na alteridade e olhar para as outras instituições do Estado como igualmente legitimadas e igualmente importantes. Sem isso, essas corporações passam a ser um cancro dentro de nós. Desde que atuem com alteridade, nós a honraremos. As que queiram na base da cotovelada descredenciar órgãos do Estado, estas não terão o nosso diálogo", disse Aragão. Perguntado sobre a gravação, divulgada ontem, de uma conversa em que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula acertavam detalhes sobre o termo de posse, Aragão disse não ter "nenhuma dúvida" do ocorrido. - O diálogo foi muito claro: o ex-presidente Lula estava com sua esposa doente. Vocês viram que o ministro Jaques Wagner tomou posse sem estar presente. Ele assinou o termo de posse, que nem o ex-presidente Lula assinou. Com isso, o cargo ficou vago, e nós não podemos, neste momento de crise, ter o cargo de chefe da Casa Civil vago - argumentou Aragão. Para o ministro da Justiça, o governo acerta ao trazer Lula para a equipe, uma vez que sua presença será "fundamental para construirmos pontes e chegarmos a algum tipo de consenso nacional". Com informações da Agência Brasil

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