Ataques cibernéticos em desktops remotos aumentam 450%

Brasil foi o país que mais registou casos na América Latina, com 50,5 milhões só em abril.

Golpes como roubo de senha, phising, malware e ransomware em laptops aumentaram 450% em toda a América Latina, como mostra o estudo da Kaspersky. Na maioria das vezes, os hackers conseguem acesso aos dispositivos por meio de tentativas de erro e acerto para obter nome de usuários e senhas. O Brasil foi o país que mais teve casos deste tipo de crime. No mês abril foram 50,5 milhões. Em segundo lugar vem a Colômbia, com 11,9 milhões, México com 9,3 milhões, Chile com 4,3 milhões, Peru com 3,6 milhões e Argentina com 2,6 milhões. O motivo seria o uso dos computadores em ambientes de baixa segurança, como as redes domésticas utilizadas no home office. Segundo a Unidade Internacional de Telecomunicações (ITU), o trabalho remoto virou realidade para 77% da população latino-americana desde o início da pandemia na região.

Já segundo estimativa do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), o trabalho em regime de home office pode aumentar em mais de 40% a renda mensal disponível das famílias brasileiras (rendimento total descontadas as despesas), de R$ 847 para R$ 1.215, em média – uma economia de R$ 368 ao mês por domicílio. A estimativa tem base em parâmetros da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017/2018 (POF/IBGE) atualizados para 2020.

De acordo com a estimativa, ao diminuir os gastos em itens como transporte, alimentação e vestuário, o teletrabalho pode reduzir em mais de 7% as despesas familiares mensais – de R$ 5,1 mil para R$ 4,7 mil, considerando um rendimento médio de R$ 5,9 mil ao mês.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE), e incluindo uma estimativa para o trabalhador do setor público, em junho deste ano havia 5,4 milhões de pessoas trabalhando em domicílio, o que representava 6,9% da população ocupada, num contexto de redução de 10 milhões de pessoas ocupadas devido à crise. Em março de 2019, essa proporção era de 5,7%.

Para lidar com essa realidade, o setor vem investindo pesado em expansão das redes e melhoria da cobertura e da qualidade dos serviços. No segundo trimestre de 2020, os investimentos em telecomunicações chegaram a R$ 7,2 bilhões, valor 4,3% maior do que os recursos aplicados de janeiro a março deste ano, de R$ 6,9 bilhões. Segundo o SindiTelebrasil, os investimentos das teles no primeiro semestre somaram R$ 14,1 bilhões.

De acordo com a entidade, mesmo com os impactos negativos da pandemia e a elevada carga tributária brasileira, o investimento alcançado no semestre superou a média do período nos últimos cinco anos, que foi de R$ 13,9 bilhões em valores reais.

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