‘Até o passado é imprevisível’

Mercados da Ásia terminaram o dia com quedas e destaque para Tóquio, com -1,28%.

A frase atribuída ao ex-ministro Pedro Malan dizia que até o passado é imprevisível no Brasil. Pois bem, OAN, AMB e servidores entraram no STF para suspender as mudanças da PEC dos Precatórios e retirar do teto de gastos. Além disso, o novo líder do PT quer rever a autonomia do Banco Central. Eta Brasil complicado.

Ontem, no final do dia, os mercados dos EUA desaceleraram e, com isso, puxaram para baixo a Bovespa, que vinha lutando para se manter acima dos 106 mil pontos do índice. Resultado disso, a Bovespa encerrou com queda de 0,15% e índice em 105.529 pontos, dólar com leve queda de 0,10%, cotado a R$ 5,529, Dow Jones com queda de 0,49% e Nasdaq com -2,51%, muito pressionado pelas ações de tecnologia.

Hoje, mercados da Ásia terminaram o dia com quedas e destaque para Tóquio, com -1,28%. Europa começando novo dia em queda e futuros do mercado americano com leve alta. Aqui, precisamos nos aproximar da faixa de 108.600 pontos para adquirir maior tração e consolidar movimento de recuperação. A variante Ômicron segue no radar das preocupações dos investidores no mundo com recordes de contágio (aqui também), mas começam a entrar no foco também os resultados de empresas no quarto trimestre de 2021. Hoje, vamos ter balanços de JP Morgan, Citigroup e Wells Fargo.

Na China, durante a madrugada, foi anunciado o superávit comercial de 2021 em US$ 676,4 bilhões, com dezembro mostrando superávit de US$ 94,5 bilhões (maior que o previsto de US$ 77 bilhões), fruto de exportações maiores em 20,9% e importações crescendo 19,5%. No Reino Unido, a produção industrial de novembro cresceu 1%, de previsão de +0,5%. Boris Johnson foi prestigiado por seus ministros e afasta risco.

Na Alemanha, o PIB de 2021 mostrou alta de 2,7%, igual ao que estava sendo previsto, mas ainda segue inferior ao período da pré-pandemia. Na Zona do Euro, tivemos déficit na balança comercial de novembro de 1,2 bilhão de euros, e a Coreia do Sul elevou os juros básicos para 1,25%, vindo de 1%. Os EUA dizem que a Rússia tem adotado medidas para minar a segurança europeia, e a tensão na Ucrânia prossegue.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava alta de 0,78%, com o barril cotado a US$ 8276. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,146 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,74%. O ouro e a prata mostravam altas na Comex, e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

Aqui, Bolsonaro libera recursos para complementação de estradas e cidades atingidas pelas enchentes e quer reajustar salários de militares. Sobre isso, o ministro Paulo Guedes teve reunião ontem com o Sindifisco, que não chegou a uma proposta efetiva e, portanto, a mobilização continua e vai aumentar.

Na agenda agitada do dia, teremos as vendas no varejo de novembro divulgadas pelo IBGE. Nos EUA, teremos a produção industrial e vendas no varejo de dezembro, a confiança do consumidor de Michigan de janeiro e discurso do presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams.

Expectativa de Bovespa podendo tentar alta, mas depende do cenário externo e da agenda. Dólar mais acomodado e juros em queda.

Ontem, a sessão mostrou mercados meio sem rumo e com constantes mudanças de sinais entre positivo e negativo. Bolsas da Europa começaram o dia com quedas e fecharam em alta. Nos EUA e aqui, muitas trocas. Bovespa trocando muitas vezes de sinal ao longo do dia, dólar começando em alta, e depois caindo no exterior, e por aqui acompanhamos isso de perto. Também, pudera: os investidores ainda tentam avaliar como será o endurecimento da política monetária americana (e de outros países), quais os efeitos da expansão de contagio pela Ômicron, como isso impactará nas cadeias de suprimentos, inflação e também no crescimento global. Como sempre, os países emergentes serão os que mais vão sofrer com tudo isso. O Brasil um pouco mais, já que estamos desorganizados nas finanças públicas, em época de eleição (antecipada) e com muitos desgastes nos três poderes.

No exterior, a percepção é que o Banco Central Europeu (BCE) não deve aumentar juros básicos antes de encerrar a compra de ativos. Já a China, com perspectiva de desaceleração de sua economia, espera que os EUA facilitem o comércio bilateral, pouco factível nessas épocas de aumento do protecionismo. Mas a preocupação hoje nos EUA é com relação à inflação alta, que pode persistir por até dois trimestres.

Hoje, tivemos posicionamentos do presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin; da Filadélfia, Patrick T. Harker; de Chicago, Charles Evans; e arguição de Lael Brainard no Senado, designada para vice-presidente do Fed na nova gestão de Jerome Powell. Todos mostraram preocupação com a inflação e alguma pressa em ajustar a política monetária, com o tapering terminando em março, juros provavelmente também em março (com até mais três altas em 2022) e anunciando em setembro a redução do balanço patrimonial.

Ainda nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior cresceram 23 mil posições para 230 mil, quando o esperado eram 200 mil posições. A inflação medida pelo PPI (atacado) de dezembro foi de 0,2% (previsão era 0,4%), com núcleo em 0,5%. Em 12 meses, o PPI desacelerou para 9,8%.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson segue politicamente pressionado, mas não é o caso de renúncia. Já a União Europeia estendeu sanções contra a Rússia por mais seis meses em função das sanções, e o quadro é bastante tenso na região.

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava também oscilações positivas e negativas, estando no encerramento com -0,63% e barril cotado a US$ 82,12. O euro era transacionado em alta para US$ 1,146 e notes americanos de 10 anos com juros em queda para 1,70%. O ouro e a prata com quedas na Comex, e commodities agrícolas com viés negativo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve dia de queda de 2,85% durante a madrugada, em Qingdao, com a tonelada cotada em US$ 129,87, afetando siderúrgicas e Vale por aqui.

No segmento doméstico, o IBGE anunciou que o volume de serviços prestados de novembro cresceu 2,4% e, contra novembro de 2020, ficou com alta de 10%. A receita bruta nominal expandiu 15,5% e 4 de 5 atividades mostraram alta. Serviços às famílias com +2,8% e, contra igual período, alta de 21%, mas, ainda assim, 11,8% abaixo do período pré-pandemia e 22,3% abaixo do pico de outubro de 2013. Foi uma surpresa positiva que não deve se repetir em dezembro.

No plano político, o presidente Bolsonaro entregou a gestão orçamentária para a Casa Civil (leia-se Centrão), já que a Economia terá de pedir aval da Casa Civil. Hugo Leal, que foi o relator, disse que vai seguir a lógica da política financeira. Com isso, Bolsonaro terá ou entregará grande dificuldade ao próximo governante. O TCU também não julgará na próxima semana as mudanças na Eletrobras, que devem ficar para março.

No mercado, dia de dólar oscilante para encerrar o dia com queda de 0,10% e cotado a R$ 5,529. Dólar fraco no exterior motivou a performance interna. Na Bovespa, na sessão do último dia 11, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 624,5 milhões, acumulando em janeiro entradas de R$ 5,04 bilhões. Já os investidores institucionais retiraram no período R$ 5,94 bilhões e investidores individuais alocaram R$ 173,1 milhões. No mercado acionário, dia de alta de 0,16% da Bolsa de Londres, Paris com -0,50% e Frankfurt com +0,13%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,54% e 0,47%. No mercado americano, faltando meia hora para o encerramento, Dow Jones marcava -0,30% e Nasdaq com -2,02% (pressão nas ações techs). Na Bovespa, também faltando meia hora, dia de -0,03% e índice em 105.653 pontos. Na máxima do dia, chegou a atingir 106.250 pontos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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