Até que ponto se deve ir na construção da frente democrática?

Direita já definiu seus objetivos; e as forças progressistas, saberão defender os seus?

Fatos e Comentários / 19:02 - 3 de jun de 2020

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Declarações do ex-presidente Lula e artigo do ex-senador e ex-governador Roberto Requião lançaram um debate adicional à tentativa de formar uma ampla frente em defesa da democracia. Lula disse: “Li os manifestos e acho que tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora. Não se fala em classe trabalhadora, nos direitos perdidos”.

Requião retorna 36 anos, ao movimento Diretas Já, para afirmar que “uma frente sem projeto, sem princípios, sem um programa mínimo, sem uma clara linha econômica nacionalista, democrática e popular, não era uma frente. Assim como hoje a reunião de políticos frouxos, pusilânimes, disponíveis e desfrutáveis com um amontoado de oportunistas, com as madalenas hipoteticamente arrependidas, com os assassinos de reputações, com os ditos liberais, com os mercadores e rentistas, com banqueiros e ex-banqueiros, com animadores de auditório, com ex-presidentes e ex-ministros que atentaram contra o Estado Nacional e alienaram a nossa soberania, não é uma frente. É uma súcia que, mais uma vez, se aproveita de uma situação dada para fazer com que tudo permaneça como sempre foi.”

Não se pode acusar nenhum dos dois de subestimar a ameaça à Democracia comandada pelo ex-capitão instalado no Planalto com seus oficiais da reserva. A questão é que a direita já definiu seus objetivos nessa frente. E o que pretende a esquerda? Chamar o povo para as ruas? Há anos que a única organização que consegue ter um trabalho de mobilização é o MTST, e agora mesmo ele anda recolhido.

Sergio Souto, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), afirma que há uma demanda por mudanças, especialmente com relação à política austericida representada por Paulo Guedes, mas resta que as forças progressistas consigam apresentar um projeto de nação viável e que atenda a essa demanda. Como propõe Requião. Mas isso é um processo que se disputa no caminhar. No final, quem tem mais garrafa vazia para vender comandará a frente.

 

Sem privatização, lucro dobrado

Ex-presidente da Cedae, Wagner Victer tem uma proposta que evita a privatização da companhia de saneamento do Rio de Janeiro: a substituição das garantias dadas ao empréstimo feito pelo Governo Federal por recursos que virão para ressarcimento das perdas de Lei Kandir.

A proposta virou o Projeto de Lei 2706/2020, apresentado pelos deputados estaduais André Ceciliano, Gustavo Schmidt, Luiz Paulo e Lucinha.

Até do ponto de vista financeiro, isso seria uma ação excepcional para o Estado do Rio, pois o que a Cedae irá lucrar nos próximos 17 anos, que é o período de crédito desses recursos, será algo da ordem, pela média de lucro anual, equivalente a R$ 20 bilhões, o que é um valor pelo menos cinco vezes superior ao que foi dado em garantia na operação bancária”, explica Victer.

A venda da Cedae, inclusive na forma como é divulgada hoje, é totalmente inoportuna e não trará os benefícios alegados; ao contrário trará problemas operacionais”, finaliza o engenheiro.

 

Na cabecinha

A polícia brasileira mata 2,6 vezes mais que a dos EUA, dados compilados pelo professor Paulo Márcio de Mello, colunista do Monitor Mercantil. Alguém duvida que os mortos são do PPP (pretos, pobres, da periferia)?

 

Rápidas

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