Dengue: atestados caem, mas trabalhador fica mais tempo longe do serviço

Afastamentos, que duravam em média um dia em 2024, subiram para 2,4 dias em 2026

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Aedes aegypti, mosquito da dengue (foto do Pixabay)
Aedes aegypti, mosquito da dengue (foto do Pixabay)

O número de afastamentos por dengue vem caindo de forma consistente nos últimos anos. Segundo dados da VR, na comparação trimestral (janeiro a março), em 2024 foram registrados cerca de 5.961 atestados no período, número que caiu para 1.140 em 2025 e chegou a 691 casos em 2026. Apesar da queda, o impacto das faltas não diminuiu na mesma proporção.

Os números mostram uma mudança clara no tempo de ausência devido à dengue ao longo dos anos. Em 2024, os trabalhadores ficaram afastados, em média, um dia por atestado. Em 2025, esse número mais que dobrou, chegando a cerca de 2,1 dias, e continuou subindo em 2026, atingindo aproximadamente 2,4 dias por pessoa. O movimento indica que, embora o número de casos tenha diminuído, também se tornaram mais longos, aumentando o impacto sobre as operações das empresas.

A maior parte dos diagnósticos segue sendo da dengue clássica, que responde por 98,5% dos registros, enquanto os quadros graves representam 1,5%. Setores com maior presença operacional lideram o ranking de afastamentos. Construção e imobiliárias concentram 22%, seguidos por comércio e varejo (16%) e saúde (12%). Indústria, consultorias e tecnologia aparecem na sequência, indicando que o impacto se espalha por diferentes perfis de atividade. Geograficamente, São Paulo concentra 35% dos casos, seguido por Minas Gerais (18%) e Goiás (15%).

Com até 1,8 milhão de casos previstos, dados do esgoto podem antecipar surtos

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O Brasil poderá encerrar 2026 com até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue, segundo estimativa do projeto internacional InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge (IMDC), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entre 65% e 70% das infecções devem se concentrar na Região Sudeste, o que, caso se confirme, representará o segundo maior número de registros no país desde 2010.

Nesse contexto, o monitoramento de águas residuais – ou esgoto – surge como uma ferramenta complementar, capaz de ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde. Por meio da tecnologia de PCR digital, é possível identificar a presença do vírus da dengue no esgoto antes do aumento de casos sintomáticos, funcionando como um sistema de alerta precoce para autoridades públicas.

Considerada uma tecnologia de alta sensibilidade, capaz de detectar fragmentos do material genético do vírus da dengue (RNA) presentes nos resíduos eliminados por pessoas infectadas, inclusive assintomáticas, a PCR digital é uma grande aliada das iniciativas de vigilância epidemiológica. A partir da coleta de amostras de esgoto por equipes especializadas, os dados laboratoriais permitem mapear a circulação viral em comunidades e identificar tendências de crescimento antes da explosão de casos.

Além de antecipar a detecção do vírus, a tecnologia também pode contribuir para o acompanhamento da evolução epidemiológica e, em alguns casos, para a identificação de variantes em circulação, ampliando a capacidade de planejamento das políticas públicas de saúde.

O uso da PCR digital em águas residuais já é adotado em países da Europa, Austrália e EUA.

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