Atividade do comércio caiu 8,8% no Dia das Crianças

Queda é menor do que a registrada no Dia dos Pais, de 10,6%, aponta Serasa Experian.

Conjuntura / 11:27 - 15 de out de 2020

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O Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian mostra que as vendas na semana do feriado de Dia das Crianças apresentaram queda, mas ainda assim, registram melhor resultado do que a baixa verificada no Dia dos Pais (-10,6%), última data comemorativa analisada pelo índice. De acordo com o indicador, houve um decréscimo de 8,8% nas vendas do varejo brasileiro durante a semana de 05 a 11 de outubro na comparação com o mesmo período de 2019, quando houve aumento de 1,7%. Essa é a maior baixa desde 2006, período de início da série histórica do índice. Quando considerado apenas o final de semana (de 9 a 11.10) o tombo foi de 7,7%.

Para o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, a baixa menor do que a verificada na data comemorativa anterior é positiva, pois mostra que a recuperação da economia, mesmo que em ritmo lento, está acontecendo.

"Existem dois principais motivos que mantém o cenário de retração: um deles é o desemprego, que continua em alta, o outro está ligado à redução do valor do auxílio emergencial, que foi cortado pela metade na maioria dos casos. Ou seja, embora o consumidor ainda esteja sem fôlego para realizar compras que não sejam prioridade, os níveis de consumo não estão piorando, pelo contrário, estão caminhando para a retomada".

Levando em conta a semana apenas na cidade de São Paulo, o recuo foi de 7,3% enquanto no final de semana, houve um declínio menor.

No dia 9, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) já havia divulgado uma pesquisa sobre intenção de compra para a data e apontava que varejo devia apresentar uma diminuição geral dos níveis de interesse em produtos para a data, comparado aos anos anteriores. Dentre as categorias consideradas, o estudo revelou que o crescimento nas vendas deve ser inferior ao observado em 2019.

A pesquisa ainda mostrava a possibilidade de maior volume de interesse concentrado nos últimos dias que antecedem a data, uma vez que grande parte das compras seria virtual, movimento acelerado pela pandemia, diminuindo assim a antecedência que essas mesmas compras são planejadas e executadas.

Para Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar, comentou que as pessoas ainda estão receosas com compras que não são itens essenciais. "Em razão do próprio desemprego ou da insegurança em relação ao emprego, as pessoas diminuíram gastos e postergaram compras - apesar de haver um crescimento por categoria. Isso também se refletiu em datas sazonais deste ano, e por isso devemos ter índices menores de vendas", analisa o economista.

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