Ato falho

Do locutor do programa da tarde da rádio CBN ontem referindo-se ao novo diretor da Polícia Federal: “João Batista Campelo indiciado….indicado para diretor da Polícia Federal…”

Especialista
Do senador Antônio Carlos Magalhães sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer: “As coisas morais nunca foram o forte do deputado Temer.” ACM, que no reinado tucano foi transformado em PhD na matéria, foi um dos principais fiadores da eleição e reeleição de Temer para a presidência da Câmara. Esse empenho lhe valeu a reciprocidade do PMDB no Senado, onde o partido do agora desafeto de ACM tem a maior bancada.

Nos tribunais
O governador Itamar Franco entrou, ontem, com ação contra o ex-porta-voz do collorato Cláudio Humberto, que afirmou em sua coluna na Gazeta de Alagoas que Itamar estaria gravemente enfermo. O governador ressaltou ter preferido restringir sua ação à Lei de Imprensa – que prevê penas mais brandas que a indústria da indenização moral – sem recorrer ao código penal, para, segundo disse, manter a tradição de nunca ter processado um jornalista criminalmente.

Sinal vermelho
Cena do Rio: ontem, por volta de 15h30, ameaçado de assalto por um rapaz sem camisa – provavelmente menor de idade -, um motorista sai do carro, saca a pistola e atira com pontaria certeira. O assaltante tenta fugir mas cai, alguns metros depois. Atraídos pelo barulho do tiro, PMs chegam correndo. O motorista que atirou já está de volta ao seu carro, mas fica preso no sinal vermelho. Ninguém que assistiu à cena aponta para os PMs o autor dos disparos, talvez movidos por um sentimento de apoio à reação, misturado com desaprovação à atitude radical. O sinal abre e os carros seguem, lentamente.

Míope
Um jornal paulista, após gastar duas páginas da edição dominical com a cobertura do bombardeio na Iugoslávia, publicou um artigo assinado com a definição (qual fosse uma sessão) “Visão pró-Sérvia”. Donde pode-se concluir que o restante era a visão pró-Otan.

Pequenez
Em vez de aproveitar as contradições entre União Européia e Estados Unidos para conseguir vantagens comerciais para o Brasil, o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, tem usado o protecionismo da UE para justificar uma submissão ainda mais absoluta do país aos interesses dos EUA. Fingindo ignorar que os americanos também são escandalosamente protecionistas, Lafer tem afirmado que a recusa da Europa a rever o fechamento de seus mercados aos produtos agrícolas brasileiros deveria empurrar o país para os braços da Alca. Como se um país das dimensões e do peso do Brasil não tivesse capacidade de exigir reciprocidade de todos os seus parceiros comerciais, sem ter como caudatário qualquer um dos blocos econômicos.

Exterminadores
Setenta e nove dias de guerra da Otan contra a Iugoslávia consumiram cerca de US$ 20 bilhões. Esse número equivale a pouco menos da metade do que o governo prevê esterilizar no pagamento de juro este ano: R$ 80 bilhões (US$ 45,7 bilhões).
Exterminadores I
Em cerca de dois meses e meio, os bombardeios da Otan provocaram mortes, cujos números variam, dependendo das fontes, de 1,5 mil (contagem iugoslava) a 4 mil (contagem da Otan), e feridos, cujos números variam de 5 mil (Iugoslávia) a 6 mil (Otan). No Brasil, as seqüelas das política de juros nas nuvens, abertura unilateral e câmbio sobrevalorizado do BC – uma espécie de Otan tucana – podem ser medidas pelo grau de violência das ruas, hoje já não mais restrito às grandes cidades, ao aumento do consumo de drogas e à redução da população economicamente ativa pelo assassinato de jovens.

Geral
Mais que nunca, a bancada governista vai se empenhar em barrar a instalação de CPIs no Congresso. A bandalheira no governo anda tão forte que mesmo as comissões bancadas pela situação – como a do Judiciário – acabam abatendo tucanos em pleno vôo.

Espelho
A Telemar-Rio estima que vai perder 15% dos seus clientes nos próximos meses, com a entrada da concorrente Canbrá no mercado. Depois de um ano, a participação da empresa-espelho deve alcançar 35% dos terminais fixos. Quem garante é uma fonte da Telemar. Não se sabe se a antiga Telerj está superestimando a concorrência para não ser surpreendida ou se está praticando uma saudável autocrítica dos serviços que oferece aos usuários.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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