Atraso

O ex-ministro Mendonça de Barros, que perdeu uma boa oportunidade de ficar calado durante o fiasco da mudança nos interurbanos, levou uma aula de ética do ex-governador do Distrito Federal (PT) Cristovam Buarque, em artigo publicado segunda-feira num jornal do Rio. Mendonça, que falou em confundir “problemas de uma transição tecnologicamente sofisticada em um país com gente atrasada”, foi lembrado que “gente atrasada é aquela que vê legitimidade na ganância usurária do setor financeiro e vê como absurdos os desejos  mais fundamentais de seu povo”. Buarque ironizou, ainda, que “para os quadros do Governo, ser moderno é copiar o que os ricos estrangeiros fazem lá fora, e não resolver os problemas reais de gente pobre que está aqui dentro”. O verdadeiro atraso, conclui o ex-governador do DF, é dos governantes “que não são capazes de fazer o  mais simples, conduzir o potencial de que o Brasil já dispõe, para servir ao que o povo precisa”.
Atraso – 2
É sempre melhor um povo atrasado do que governantes que avançam nos bens públicos.

Mister M
Ao mesmo tempo que até direitistas renhidos manifestam-se contrários à privatização de Furnas, como registrou esta coluna ontem, a diretoria da sua controladora – a Eletrobrás – acaba de informar ao mercado de capitais que a atividade de geração hidrelétrica daquela estatal será a próxima a ser privatizada. Caso a insana persistência em vender Furnas não seja revertida, o total de R$ 11 bilhões em ativos de geração e transmissão vão ficar reduzidos a R$ 6 bilhões. O que não vai ser possível esconder é a verdade de que ativos de R$ 5 bilhões estarão sendo “vendidos” por poucas centenas de milhões de dólares.

Neocriticados
Depois de criar inúmeras categorias de adversários e desafetos (fracassomaníacos, esquerda burra, vagabundos, neobobos, antipatrióticos etc.), FH volta-se agora contra a mesma imprensa estrangeira que o incensava a até bem pouco tempo. O sociólogo e presidente diz que os jornalistas de outros países não conseguem entender o que acontece no país. Aos profissionais agravados resta a vantagem de nunca terem pedido para que se esquecesse o jornalismo que produziram.

Descontos
Na guerra entre a Embratel e a Telefônica pela conquista do cliente depois das mudanças na discagem de longa distância, os usuários acabaram por ficar sem saber qual das duas provedoras, na verdade, tem a menor tarifa. De acordo com uma pesquisa da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), a Embratel, é mais barata em todas as tarifas. Em alguns casos, a diferença é de quase 40%. Agora que os interurbanos começam a funcionar, vale a pena conferir:
Telefônica
DC – Áreas vizinhas: R$ 0,03184/min;
D1 – Até 50 km: R$ 0,07463/min;
D2 – Acima de 50 km até 100 km: R$ 0,12439/min;
D3 – Acima de 100 km até 300 km: R$ 0,18659/min;
D4 – Acima de 300 km: R$ 0,24879/min.
Embratel
DC – Áreas vizinhas: R$ 0,02304/min;
D1 – Até 50 km: R$ 0,054000/min;
D2 – Acima de 50 km até 100 km: R$ 0,09000/min;
D3 – Acima de 100 km até 300 km: R$ 0,13500/min;
D4 – Acima de 300 km: R$ 0,18000/min.

Desafios
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) realiza em agosto o Congresso Brasileiro de Jornais deste ano, com o tema “Os desafios de hoje e de amanhã”. O encontro acontecerá nos dias 16 e 17 no Sheraton Rio Hotel & Towers, no Rio. O evento, que marca os 20 anos de atividades da entidade, terá cinco painéis, seguidos de debates entre os participantes. No encerramento do congresso, haverá uma homenagem aos ex-presidentes da ANJ. A solenidade contará neste dia com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso; do presidente da ANJ, Paulo Cabral; e do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).

Imagem
A polêmica sobre o pacote de incentivos fiscais para a Ford ganhou novamente destaque na mídia externa. Desta vez foi no jornal norte-americano The New York Times, em matéria que destaca que, se for levado a cabo, o esforço para atrair a Ford à região Nordeste do Brasil será uma vitória para Antônio Carlos Magalhães. O senador pela Bahia é qualificado pelo Times como “a cola que segura a frágil base parlamentar de Cardoso (Fernando Henrique cardoso) em Brasília”. Ao mesmo tempo, relata o jornal, “líderes do próprio partido do presidente criticaram o que consideram uma negligência da parte do presidente”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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