Audaz

Confirmando o ditado de que só arrota autoridade quem já a perdeu, o presidente FH proclamou que sua “tolerância chegou ao fim” e que, a partir de agora, os aliados vão ter de acatar suas decisões. A última demonstração de autoridade de FH, sem ceder “a pressões de nenhuma ordem”, resultou na indicação de diretor-geral da Polícia Federal que não esquentou a cadeira por 48 horas, após três meses de acefalia na PF. Por isso, poucos acreditavam que novo recorde estivesse a caminho. Ledo engano. Menos de 24 horas após a autoproclamação da autoridade presidencial, Inocêncio de Oliveira e Germano Rigotto se atracavam com o ministro Pimenta da Veiga, que identificara suposta paralisia no Congresso.  De quebra, ACM disse não acreditar que Pimenta reproduzisse palavras de FH. Nada como a tolerância zero tucana.
Sozinhos
Razão tem o vizinho desta coluna Janio de Freitas: o tucanato não precisa de ajuda externa para ficar em maus lençóis; eles mesmo se encarregam de se meter em crises.

Condomínios
A Caixa Econômica Federal lança hoje programa de financiamento para condomínios. Serão destinados R$ 200 milhões para reformas em prédios residenciais e comerciais. O programa vai financiar as obras em prazos mais longos e os condôminos vão dividir as prestações. O Governo espera com isso gerar pelo menos 20 mil empregos este ano. A Caixa avisa que, se a procura for grande, poderá mobilizar mais recursos para os financiamentos.

Confiança
A decisão da Light de colocar uma tropa de 200 funcionários de plantão durante a conferência de cúpula do Mercosul com a União Européia pode privar os representantes dos principais países da UE da oportunidade de uma demonstração em larga escala dos efeitos da privatização de serviços públicos.

Colônia
Em entrevista a Bóris Casoy, no último fim de semana, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes contou ter dito o seguinte ao presidente FH, em encontro logo após a posse de Sua Excelência: “Você não pode fazer tudo que os Estados Unidos querem.” Segundo Ciro, FH teria lhe respondido: “Temos de fazer tudo que eles querem, se não entrar dinheiro o país quebra.” Passadas 48 horas sem que FH tenha desmentido o ex-ministro, esta coluna pergunta se o tucano-mor vai propor que o Brasil se torne o 52º estado americano.

Barril de pólvora
A concentração de renda proporcionada pelo neoliberalismo produz coisas cada vez mais amalucadas. A fortuna de Bill Gates ano passado, estimada pela revista Forbes em US$ 90 bilhões, representa exatamente um terço da dívida de 36 dos países mais pobres do mundo e que será perdoada pelo G-7 para reabrir esses mercados a seus produtos.

Banerj
Amanhã, a partir de 15h, o assessor para Assuntos Previdenciários da Secretaria de Administração do governo estadual, João Luiz Meireles, recebe os funcionários do Banerj. Entre os assuntos, a situação dos participantes da Previ/Banerj enquadrados na lei 2997 e que, segundo acusa o Sindicato dos Bancários, tiveram seus direitos negados pelo Bozano, Simonsen, as aposentadorias por invalidez e a fiscalização da Conta A (cerca de R$ 3 bilhões) depositada na Caixa Econômica Federal. Este é o primeiro encontro do Governo Garotinho com os participantes da Previ e será realizado no auditório do Sindicato dos Bancários (Av. Presidente Vargas 502/21º andar).

Só de mentirinha
Embora a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos de Veículos Automotores (Anfavea) insista em reclamar que a taxação do setor no Brasil, de 36% (reduzida para 27% após o acordo automotivo), seja uma das maiores do mundo, na prática, o Leão brasileiro mais parece um inofensivo gatinho quando lida com as montadoras. O ex-secretário de Fazenda de Minas Alexandre Dupeyrat explica que, após benefícios recebidos através de uma infinidade de leis ordinárias, resoluções e até portarias, a indústria automobilística acaba recolhendo não mais que 0,79% de imposto aos cofres dos estados.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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