Aula de integração

Oscar Niemeyer vai fazer o projeto arquitetônico do campus da Universidade Federal da Integração da América Latina (Unila), na região do ABC, em São Paulo. A idéia é contratar 500 professores, que atenderão a 10 mil alunos – metade brasileiros, metade bolsistas de outros países de continente latino-americano. O governo estuda também construir entre o Amapá e a Guiana Francesa a Universidade da Biodiversidade.

Pacientes e agentes
Em 2005, em artigo dirigido ao ombudsman de um jornal tupiniquim, o historiador Mário Maestri, depois de registrar que, no tratamento jornalístico dado pelos meios de comunicação aos fatos, palavras são utilizadas com o sentido de “melhor servir ao banquete dos grandes interesses”, fez uma incômoda comparação: “Os palestinos, como agentes e pacientes da luta armada na região – ou seja, quando matam ou quando morrem – são invariavelmente assassinos, terroristas. Porém, os israelenses, como agentes, são simples “soldados” que “matam” “terroristas” e, como pacientes, “colonos” e “judeus” de um “assentamento” “assassinados” por “terroristas”.”
E arrematou: “Fico quase enrubescido ao lembrar ao prezado ombudsman o diferente peso semântico entre o verbo “assassinar” e “matar”. Matar pode até mesmo descrever ato natural de tirar a vida. O poste que cai sobre a rua pode matar o transeunte. Assassinar é a morte produzida por ser humano com aleivosia.”
Três anos depois, os atentos às significações e às ressignificações das palavras na gramática da mídia notam a mesma diferença de tratamento dedicada pela mídia tupiniquim à crise boliviana. No passado, quando o presidente Evo Morales nacionalizou refinarias da Petrobras no país,  foi tratado como “irresponsável” e “descumpridor de contratos”. Agora, que Morales é o paciente, a imprensa daqui trata os agentes da ação como meros “opositores do governo”.

Terroristas e daí?
Mesmo com as ações de sabotagem de instalações da Petrobras na Bolívia por grupos de paramilitares coincidindo com o aniversário do 11 de Setembro estadunidense, não ocorreu a qualquer integrante da mídia tupiniquim chamar seus autores de terroristas.

Outro 11/9
A propósito de efemérides, há 35 anos, o presidente eleito do Chile, Salvador Allende, foi derrubado e assassinado num sangrento golpe de Estado, com fortes digitais estadunidenses. Até hoje, o assunto é tabu no Chile pós-Pinochet.

Desigualdade
Giuseppe Cocco, ítalo-francês que há 13 anos é professor da UFRJ, lembrou durante o III Seminário Internacional Fórum Universitário Mercosul, que está acontecendo em Boa Vista (RR), o termo usado na década de 90 para definir fenômeno ocorrido em países que aderiram ao neoliberalismo e, portanto, ingressaram em trajetória de degradação econômica e social: brasilianização. “O futuro do país do futuro tornou-se o próprio Brasil, marcado pela desigualdade”, comentou sobre aquela década perdida.

Dê futuro
Seis parques temáticos de São Paulo aderiram à campanha “Dê mais que esmola. Dê futuro”. Na Capital existem cerca de 2 mil crianças e adolescentes em situação de “trabalho infantil” nos principais cruzamentos, feiras e ruas de comércio, segundo dados do censo Fipe-Smads de 2007. A campanha – que reúne o Fantasy Acqua Park, Hopi Hari, O Mundo da Xuxa, Parque da Mônica, Playcenter e Wet”n Wild – visa a sensibilizar visitantes e turistas a trocar esmolas por doações para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad) ou a entidades que trabalham com esse público.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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