Aumento da produção de petróleo faz preço cair

A semana começou com os preços do petróleo despencando no mercado futuro, com Brent negociado a US$ 71,45 por barril nesta segunda, desvalorização de mais de 2% e o menor valor desde o início de junho. A queda reflete como o mercado recebeu a decisão de aumento da produção do petróleo tomada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, liderados pela Rússia, que chegaram a um consenso no domingo (18) de aumentar a produção a partir de agosto para tentar reduzir o impacto da alta do preço do produto em um momento em que o mundo tenta se recuperar da pandemia de Covid-19.

A previsão é de aumento de 400 mil barris a mais por dia até o final de 2022, conforme comunicado do grupo conhecido como Opep+. Lembrando que a disputa recente entre os países causou turbulência no valor do petróleo. Relatório divulgado pela Opep na semana passada citou que a demanda por óleo continua com crescimento esperado de 6 milhões de barris por dia na média de 2021. Para 2022, prevê crescimento adicional de 3,3 milhões de barris por dia, para 99,86 milhões de barris diários.

Entre os assuntos analisados nesta segunda-feira (19) por Jansen Costa, sócio da Fatorial Investimentos, é a reunião da OPEP. “A gente vê desmonte de operações que vemos claramente no preço do dólar hoje subindo 2,5% frente ao real, moeda que mais desvaloriza hoje”, comentou o analista.

Sobre a decisão da Opep e seus aliados, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, fez alguns comentários nesta segunda-feira: “O aumento de produção da OPEP+ aparentemente poderia dar um alívio nos reajustes dos combustíveis e do gás de cozinha pelo lado do preço internacional do petróleo, mas não resolve a questão do dólar, que continua com pressão de alta pela desconfiança política e econômica sobre o governo federal. Logo, o problema não estará resolvido”.

Na opinião de Bacelar, enquanto a gestão da Petrobras continuar utilizando o Preço de Paridade de Importação para determinar seus reajustes, ela dependerá de mais do que a queda do valor do barril. E é preciso lembrar também que o aumento da produção da OPEP+ não se destina a abaixar os preços, mas sim evitar que eles subam ainda mais. Portanto, os preços altos cobrados atualmente não deverão cair. Quem não está conseguindo abastecer ou comprar gás de cozinha hoje vai continuar não conseguindo, já que os valores tendem a se manter os atuais

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