Aumento dos juros engole o auxílio emergencial

Gasto com Selic será R$ 6 bi maior que pagamento a carentes.

Ao aumentar a taxa básica de juros (Selic) para 2,75%, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central gerou um aumento no custo anual da dívida pública interna federal de cerca de R$ 50 bilhões. O valor é R$ 6 bilhões superior aos R$ 44 bilhões aprovados pelo Congresso Nacional para pagamento da nova rodada do auxílio emergencial.

O cálculo foi feita pela Auditoria Cidadã, organização que acompanha a dívida pública brasileira e defende uma auditoria nos números. “Além desse custo imediato onerosíssimo nos juros da dívida, essa decisão absurda de aumentar os juros em plena pandemia impactará negativamente toda e economia do país, já que essa taxa básica influencia diretamente em todas as taxas de juros praticadas pelo mercado”, protesta o texto da entidade.

A dívida interna federal bruta está atualmente no patamar de R$ 6,7 trilhões. Apesar de apenas parte dessa dívida ser indexada à Taxa Selic, esta taxa serve como um piso para a taxa de juros exigida pelos bancos em outros tipos de títulos (prefixados e outros), que pagam taxas muito maiores. Prova disso é que enquanto a Selic esteve em 2% ao ano, o custo médio da dívida pública federal foi de quase 9% ao ano, de acordo com a Auditoria Cidadã.

Segundo o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Ahmed El Khatib, os juros altos desestimulam o consumo e o investimento produtivo. “Na tentativa de conter a inflação e a alta do dólar, uma das ferramentas que poder ajudar é justamente a alta da taxa Selic, o que torna o investimento produtivo menos viável e que desestimula o consumo, já que força o aumento das taxas de juros no sistema bancário”, explica.

Um aumento nos juros, em tese, desestimularia os investimentos por tornar o crédito mais caro, o que pode aumentar, inclusive, o desemprego no país. “O aumento recente indica que na próxima reunião do Copom, marcada para 4 e 5 de maio, tenhamos um novo aumento, possivelmente no mesmo percentual de 0,75”, diz Khatib.

Em um cenário de juros altos, as empresas investem menos, porque custa tomar empréstimos para produção. Isso aumenta o desemprego e piora o consumo. As empresas vendem menos, e então um ciclo negativo se instala (quanto menos vende, menos emprego gera). Essa situação deixa a economia com menos força, o que afeta o PIB (Produto Interno Bruto).

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