Aumento real do salário mínimo x juros da dívida

Não falta – nos jornalões – quem garanta que o aumento real do salário mínimo vai quebrar o Brasil; sobre juros, silêncio é constrangedor.

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Brasileiro com dinheiro no bolso (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
Brasileiro com dinheiro no bolso (foto de Marcos Santos, USP Imagens)

Bastou o governo Lula anunciar o valor do salário mínimo em 2026 (majestosos R$ 1.621), resultado de reposição da inflação (INPC) de 4,18% + aumento real de 2,5%, para os intrépidos colunistas dos jornalões, reverberando diletos integrantes do mercado financeiro, alardearem que o País vai quebrar.

Segundo o Dieese, o novo salário mínimo representará um incremento na renda de R$ 81,7 bilhões em 2026. Este é o valor que inclui inflação mais o aumento real. Levando em conta apenas o extra” (os 2,5%), esse impacto seria de algo na casa de R$ 31,8 bilhões.

Esse valor referente a 12 meses (+13º) é menos de 1/3 do que o Brasil gastou em juros da dívida pública apenas em 1 mês (outubro de 2025). Em 12 meses (encerrados em outubro de 2025) o País torrou em juros da dívida pública 31 vezes o que gastará com o aumento real do mínimo (inclusas despesas do INSS, empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria e domésticos).

Apenas o que o Brasil gastou com juros este ano a mais que em 2024 gerou um gasto de R$ 117,9 bilhões, por conta da política que levou o País ao 2º ligar em juros reais (descontada a inflação) do planeta.

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Mas os juros são intocáveis; o que vai quebrar o Brasil é o trabalhador ou aposentado que ganha 1 salário mínimo.

“Apesar do impacto do salário mínimo sobre a despesa pública, especialmente nos benefícios previdenciários e assistenciais e nos vencimentos do setor público, parte relevante desse aumento retorna ao Estado por meio da arrecadação tributária, com o maior consumo. Ao ampliar a renda da base da pirâmide social, a valorização do salário mínimo estimula o mercado consumidor interno, fortalece a economia e contribui para a geração de empregos”, ensina o Dieese.

Fernando Haddad
Ministro Fernando Haddad (foto de Valter Campanato, ABr)

Calabouço reduz salário mínimo

O calabouço fiscal tungou em R$ 15 quem ganha o salário mínimo. “Caso ainda estivesse em vigor a regra anterior, que permitia o repasse integral da taxa de crescimento do PIB, que foi, em 2024, de 3,4%, o piso nacional atingiria R$ 1.636, calcula o Dieese. Devido ao arcabouço fiscal de Haddad, o aumento real foi limitado a 2,5%.

Poder de compra dobrou

De 2002 para cá, o salário mínimo no Brasil passou de R$ 200 para a R$ 1.621 (2026), “o que representa aumento nominal acumulado de 710,5%. No mesmo período, a inflação medida pelo INPC acumulou cerca de 306,7%, resultando em ganho real acumulado próximo de 100% no poder de compra do salário mínimo”, segundo o Dieese.

Salário mínimo despencou na ditadura

Cálculos do Dieese para a CNN Brasil mostram que o salário mínimo alcançou seu maior valor (R$ 3.051) em 1957. Na ditadura, foi ladeira abaixo, chegando abaixo de R$ 1 mil. Com a hiperinflação, chegou a seu menor valor (R$ 563) em 1995, em meio ao Plano Real. Os valores foram calculados em reais de março de 2023.

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Rápidas

O Maracanã estreia Réveillon gospel gratuito nesta quarta-feira (31). O MaraViraRio reúne nomes como Aline Barros e Luciano Camargo *** O Blue Note Rio abre 2026 com Wagner Tiso comemorando seus 80 anos de vida em homenagem ao Clube da Esquina. O show terá sessão dupla às 20h e 22h30 *** A cantora Thaís Fraga retorna ao Vinicius Show, em Ipanema, em 10 de janeiro, 21h *** O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, do Governo de São Paulo, apresenta a exposição em formato digital Quilombo do Jaó, comunidade localizada em Itapeva (SP). A exposição fica em cartaz até 1º de fevereiro de 2026.

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