Açougueiro

A mais recente reedição da Medida Provisória dos Planos de Saúde pode ser a ponta de lança da aplicação no Brasil do “managed care” norte-americano. No “managed care”, o médico é transformado num gerente da saúde de seus pacientes. O plano de saúde estipula um pagamento inicial bruto para o médico, por exemplo, US$ 10 mil. Desse total, no entanto, são debitados todos os procedimentos pedidos pelo profissional para seus pacientes, como exames, operações, consultas etc. Essa mercantilização exacerbada faz com que, diante de sintomas não definitivos de uma eventual doença, o médico opte por procedimentos menos onerosos, para não ver seu crédito inicial encolher. Em outras palavras, é como colocar o vampiro para tomar conta do banco de sangue.

Denúncia
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, ofereceu ao Superior Tribunal de Justiça denúncia criminal contra o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, por suposta ofensa à honra do presidente Fernando Henrique Cardoso. Esse é o passo necessário para a abertura de ação penal. O STJ deverá pedir licença à Assembléia Legislativa do Rio antes de decidir se abre ou não o processo. O procurador-geral, motivado por solicitação do Planalto, acusa o governador de difamação em razão de entrevista à revista IstoÉ em que afirmou: “O governo federal está utilizando a Receita Federal para fazer política”. Garotinho fez essa afirmação por causa de apuração aberta pela Receita para esclarecer suspeita contra ele de sonegação fiscal.

Em atividade
Apesar da insistência do presidente da Anatel, Renato Guerreiro, em enterrar a Vésper, a empresa espelho da Telemar e Telefônica continua viva. A companhia está lançando plano especial voltado ao mercado corporativo. O Plano Orion possibilita o planejamento dos gastos com ligações telefônicas; permite que o cliente escolha entre quatro “pacotes” de conta mínima – com preços de R$ 3 mil, R$ 3,5 mil, R$ 4 mil ou R$ 6,5 mil. Os planos se baseiam no perfil de uso dos clientes e os preços variam de acordo com um modelo de cálculo que leva em conta o número de chamadas realizadas e a duração das chamadas.
Jurista ouvido por esta coluna estranhou as declarações feitas por Guerreiro anteontem, prevendo que o espaço da Vésper seria ocupado pela Telemar e Brasil Telecom. Feitas por quem deveria ser fiscal do setor, as considerações podem ser base para um futuro processo contra o governo em caso de insucesso da empresa espelho. A conta, como de costume, ficaria com a “viúva”.

Transferência
A negar sua vocação messiânica e salvacionista e tentar transferi-la à oposição, o ministro Pedro Malan parece cometido do que a psicanálise chama de alucinações negativas, que consistem na negação da realidade. Fora disso, restam explicações bem mais ásperas para classificar as imagens do FH candidato exibindo uma nota de R$ 1 e proclamando no Nordeste que “o real vale mais do que o dólar” ou ainda das próprias afirmações malanianas sobre a ira dos deuses que se abateria sobre o Brasil, se o real fosse desvalorizado.

Submissão
Do economista da FGV Paulo Nogueira Batista Jr, ironizando a surpresa do presidente FH sobre a forma como os mercados estão tratando Argentina depois de o governo local ter obedecido servilmente a suas ordens: “Não é para ficar surpreso. Trata-se do desprezo, merecido, que os mercados destinam aos que abdicam da necessidade de manutenção do Estado Nacional.”

Sinal verde
O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco Sindical), Paulo Gil Introíni, afirmou que, caso o Congresso Nacional aprove o projeto de lei 646/99, de autoria do senador Jorge Bornhausen (PFL/SC), o país caminhará na contramão do combate à sonegação: “Grandes esquemas de sonegação como os de PC Farias, por exemplo, jamais seriam descobertos se o atual código em tramitação no Senado estivesse vigente naquela época”, critica Introíni. Ele diz ainda que o projeto de Bornhausen (PFL/SC) – de notórias ligações com a banca – permite que grande sonegadores participem de licitações, fazerem contratos com órgão públicos e receberem empréstimos oficiais, o que fere o princípio da igualdade na competitividade de preços.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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