Ausentes

Em depoimento feito a César Benjamim, o especialista em energia Carlo Ferrentini Sampaio dá uma aula sobre a crise anunciada pela qual o país passa. Ferrentini mostra que, na maior parte do tempo, o Brasil tem sobra de energia hidrelétrica barata. O Operador Nacional do Sistema (ONS) define em cada momento que energia será efetivamente jogada na rede. Assim, nos anos de boas chuvas, as usinas térmicas desejadas pelo governo fatalmente permaneceriam desligadas. Que investidor privado aceitaria construir essas usinas sem contratos de longo prazo, com preço certo e garantido? Os investidores estrangeiros não apareceram e era eles que o governo esperava para construir novas geradoras.
Mico
A conta, explica Carlo Ferrentini Sampaio, ficou com o Estado, como era de se esperar. A Petrobras, que estava com um mico preto na mão – o gasoduto Brasil-Bolívia ainda opera com menos de 40% de sua capacidade, por falta de demanda, mas a estatal é obrigada a pagar por todo o gás que poderia ser entregue, usando-o ou não – assumiu o risco gigantesco do novo negócio. Por um lado, já estava tendo um monstruoso prejuízo financeiro; por outro, entrando diretamente na produção de energia elétrica, ela diversificaria sua atuação, podendo fortalecer sua posição estratégica, e ainda por cima ajudaria o governo em um momento difícil, tornando-se sua credora moral.
Salve-se quem puder
As contas do ONS estimam que os reservatórios das hidrelétricas cheguem ao final do ano com 18% de sua capacidade. Porém, se não houver chuvas abundantes e o nível de 10% for atingido, o sistema elétrico brasileiro, que já foi referência mundial, não terá mais confiabilidade operacional. Poderão ocorrer blecautes desgovernados. Segundo Ferrentini, não se trata de hipótese longínqua. O relatório 19-2001 do Operador Nacional do Sistema, previa que o armazenamento nas regiões Sudeste e Centro-Oeste estivesse em 33% no início de junho. Em meados de maio, essas regiões já estavam com 29,7%. O que está colocada diante do país é opção entre racionamento e colapso. “O tempo e a sorte passaram a ser os elementos decisivos”, afirma o técnico.

Amigo da onça
Declaração do ex-senador baiano Antônio Carlos Magalhães (PFL), durante uma entrevista realizada ontem no programa Raio X, do canal C21 (TV por assinatura) sobre o presidente da República Fernando Henrique Cardoso. “Ele (FHC) é inteligente e capaz. No entanto, é difícil acreditar que FHC seja amigo de alguém”.

Quinta coluna
Se o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, falasse no mesmo tom com que tentou desqualificar as críticas do presidente da Fiesp, Horácio Piva Lafer, em defesa dos interesses do país em relação à Alca, certamente, os brasileiros dormiriam mais tranqüilos. Pior do que a grosseria e arrogância inerentes ao tucanato é fingir confundir a legítima defesa da manutenção do Mercosul com os interesses comerciais de países de fora do bloco.
Até as pedras do Itamaraty sabem que a estridente defesa do ministro Domingo Cavallo da redução ou da eliminação da alíquota de importação de produtos de informática., eletroeletrônicos e telecomunicações beneficia mais empresas de países de fora do Mercosul, principalmente os Estados Unidos, do que de uma suposta modernização da indústria local. Nesse sentido, as concessões inaceitáveis feitas pelo governo brasileiro são muito mais um passo rumo à capitulação do canto da sereia da Alca do que um fortalecimento do Mercosul. Ou seja, em termos finais, de desmonte do bloco.

Marte
Em fevereiro deste ano FH foi às televisões anunciar o Projeto Iluminação Pública Eficiente (Projeto Reluz), voltado para “tornar eficientes 8 milhões de pontos de iluminação pública e instalar 1 milhão de novos pontos eficientes”. Para o meio rural, lançou o Programa Luz no Campo, que tinha como meta “levar energia elétrica a 1 milhão de propriedades e domicílios até 2002”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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