Austeridade joga 1,7 milhão de pessoas na extrema pobreza

Cinco brasileiros detêm a mesma renda que 100 milhões de pobres

O número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população em 2016 para 7,4% em 2017, ao passar de 13,5 milhões para 15,2 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia ou R$ 140 por mês. Segundo o IBGE, o crescimento do percentual nessa faixa subiu em todo o país, com exceção da Região Norte, onde ficou estável.
Os dados fazem parte da Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgada pelo IBGE. De acordo com a pesquisa, a razão entre o topo da distribuição dos rendimentos e a base mostrou que os 10% com maiores rendimentos recebiam 12,4 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos.
A concentração de renda é uma das consequências das políticas de caráter neoliberal – rotuladas de “austeridade – intensificadas no Governo Temer, que assumiu em agosto de 2016, mas já coman-dava o país desde maio, quando a presidente Dilma Rousseff foi afastada.
Essa concentração não se deve a altos salários de parte do funcionalismo público e de profissionais liberais e executivos, que compõem a maioria dos 10% com maiores rendimentos, ainda que os ganhos deles sejam muito maiores que a média salarial brasileira, de cerca de R$ 2,4 mil.
Ao separar os integrantes dos 10% mais ricos, vê-se que o topo da pirâmide é ocupado por poucas pessoas. Segundo a ONG britânica Oxfam, cinco brasileiros são detentores da mesma proporção da renda que a metade mais pobre da população (mais de 100 milhões de pessoas). São eles: Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Herrmann Telles, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saverin.
Em 2017, os 10% das pessoas com os maiores rendimentos (de todas as fontes) do país acumulavam 43,1% da massa total da renda, enquanto os 40% com os menores rendimentos detinham apenas 12,3%. Esse estrato do topo concentrava 3,51 vezes mais rendimentos do que a base, razão conhecida como o Índice de Palma.

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