Austrália provocou China e fica com carvão encalhado

‘Boicote’ chinês serve de alerta para um certo país do Ocidente e seu ministro delirante.

A Austrália está cada vez mais preocupada com o “boicote não declarado” da China ao carvão australiano, que desde o início do ano vem enfrentando barreiras nos portos chineses. O minério é o segundo produto na pauta de exportação do país dos cangurus para o dos coalas e responde por 3,7% do PIB australiano. As compras das usinas elétricas estatais chinesas que utilizam carvão estão sendo direcionadas para o produto interno, ainda que de pior qualidade, ou para o minério oriundo da Rússia ou da Indonésia.

Por trás dessa mudança, a escalada de tensões entre os dois países, provocada pelo alinhamento do governo de Camberra aos interesses dos Estados Unidos na região. A China reclama de discriminação contra empresas de tecnologia, como a Huawei. Os políticos australianos agravaram a desavença ao atribuir aos chineses culpa pelo coronavírus.

A história serve de alerta para o Brasil. Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril, entre palavrões e piadas de botequim, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, teria chamado a doença de “comunavírus”, mas um de seus ataques delirantes contra as hordas comunistas, tão constrangedor que levou o ministro Celso de Mello, do STF, a censurar o trecho ao liberar a divulgação do vídeo da reunião.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e ataques que minem as relações entre os dois países deixam o setor agroexportador preocupado. Não que os chineses, com seus 4 mil anos de história, vão pautar suas relações com um país a partir de ministros que despejam tolices nas redes sociais. Mas a China pode buscar parceiros com os quais tenha maior afinidade.

 

Dominado

Medida provisória transforma 281 cargos em comissão na Polícia Federal – que podem ser ocupados por pessoas de fora do quadro da instituição – em 860 funções comissionadas – exclusivas dos funcionários da PF. A MP foi aprovada a jato na Câmara com a alegação de que haveria redução de despesas, apesar da disparidade entre os números e de não terem sido reveladas as contas da troca.

O que a princípio parece positivo – substituir “janeleiros” por gente de carreira – merece uma atenção redobrada. Na Petrobras, o privilégio a gerentes e chefes – obra daquele pessoal do FHC que queria transformar a estatal na Petrobrax – é um dos fatos na origem de muitos dos problemas que explodiriam mais à frente.

A cooptação de integrantes da PF não pode ser vista separadamente do desejo do Governo Bolsonaro em transformar a instituição de Estado em uma polícia controlada pelo presidente.

 

Mercado sem riscos

Comercializadores de energia contabilizam R$ 5 bi de prejuízos e acreditam que a ajuda do governo de R$ 14 bi será insuficiente. Apesar da confissão de fracasso do mercado livre, querem ampliar o sistema para todos os consumidores. Certeza de que a Viúva assumirá as perdas?

 

Rápidas

A plataforma de hospedagens VisitNow vai apoiar o festival musical Compaixão, organizado pela ChildFund Brasil, cujo objetivo é arrecadar doações para ajudar cerca de 30 mil famílias nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste durante o período da pandemia. O festival, neste final de semana, terá transmissão pelas redes @childfundbrasil no Instagram e Youtube *** O IAG – Escola de Negócios da PUC-Rio promove webinar sobre Compliance no Mercado Imobiliário, nesta segunda-feira, às 19h, no YouTube *** A Aasp realiza nesta segunda, às 17h, o webinar gratuito “Novos rumos da previdência”. Inscrições aqui *** O defensor público do Estado do Rio de Janeiro Felippe Borring Rocha e o advogado Cláudio Pires Ferreira farão uma live no Instagram nesta segunda, às 16h, pelo perfil @iabnacional, sobre “Direito do consumidor em tempos de pandemia” *** O médico e cofundador da MedRio, Galileu Assis, fará uma live dia 27, às 17h, no Instagram da Nina Kauffmann (@ninakauffmann). O tema é “Medicina Preventiva em Tempos de Epidemias” *** Para discutir o “Day-After: os Desafios da moda e do luxo pós Covid-19”, o escritório Di Blasi, Parente & Associados preparou um webinar, no dia 27, às 19h, com Sébastien Liron, especialista francês em Branding, e Freddy Rabbat, presidente da TAG Heuer no Brasil. Inscrições aqui.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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