Auto-explicável

A elevação do superávit primário (economia para pagar juros) decretada pela equipe econômica e oficializada pelo presidente Lula tem apenas um mérito: seu didatismo. Reafirma que o modelo atual é incompatível com qualquer crescimento, que transcendendo o vôo de galinha de uma “bolha” sustentada por efeitos estatísticos, possa ser chamado de efetivo.

Rio sem alternativa.
Só o mais sectário adversário do prefeito Cesar Maia (PFL) poderia qualificar como desastrosa sua administração na Prefeitura do Rio. Ao mesmo tempo, apenas o mais convicto dos bajuladores oficiais poderia conceder nota além de medíocre para uma administração que, nos últimos 12 anos, resume-se à recorrência de fazer caixa durante os três primeiros anos de cada gestão para produzir obras localizadas que, no último ano, se arrastaaaaam até as eleições. Tudo isso somado, muitos cariocas se perguntam por que Cesar desfruta de condições favoráveis no quadro eleitoral.
Parte dessa situação deve ser procurada na passividade com que seus adversários aceitam a pauta monotemática imposta pelo prefeito: discutir se suas obras são boas ou não. Se um administrador em 12 anos de gestão não consegue ter uma estratégia que dê visibilidade a seu projeto e seus adversários se limitam a debater as maquiagens de alguns bairros, melhor para Cesar.
As limitações dos oponentes, porém, não se esgotam aí. Adversário com melhor largada para enfrentar Cesar no segundo turno, o senador Marcelo Crivella (PL) foi atingido em plena largada por suas ligações com a organização que lhe dá suporte e não conseguiu mais se recuperar. Conde (PMDB) optou por se apresentar como um Cesar melhorado, tática pueril, por, na melhor das hipóteses, permitir que se opte pela criatura original.
O deputado Jorge Bittar (PT) leu os jornais, acreditou que o Rio é fã de carteirinha do presidente Lula e colou sua imagem no presidente. Como suas intenções de voto são inferiores às experimentadas por ele em todas eleições de que disputou, já está na hora de entender que, em política, não se deve confundir propaganda com realidade.
Finalmente, a deputada Jandira Feghali, cuja largada inicial, indicava o espaço aberto para uma candidatura que se demarcasse dos governos Lula, Cesar e Garotinho, abandonou o discurso inicial. Faz uma campanha travada, que a impede de antecipar na eleição de 2004 o que será uma necessidade indispensável a partir de 2005 para os que mantêm o compromisso com as bandeiras abandonadas pelo PT: construir uma alternativa aos tucanos e a seu clone radicalizado, o PT.
Enfim, Cesar se aproveita de uma máxima antiga: na política não é preciso ser bom ou mau. Mas importante é ser, ou principalmente, convencer a maior parte dos eleitores de que você é melhor que os outros. Ou, o que dá no mesmo, que os outros são piores do que você.

Os cães de guarda de César
Ontem, por volta de 14h, na Rua Senador Vergueiro, no bairro do Flamengo, no Rio, um camelô corria com uma sacola carregada de esponjas seguido por guarda municipais. Uma patrulha da Polícia Militar, que se aproximava, imobilizou o homem sem estardalhaço, pondo fim à perseguição. Apesar disso, um guarda municipal aproveita para baixar o cassetete no ambulante, só não dando seqüência ao espancamento por ser detido por um dos  PMs e pelo segurança de um bar. Do outro lado da rua, uma pequena multidão mostra sua revolta com “a prisão de um trabalhador”, que chegou a ser algemado. Cabos eleitorais do candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, Luiz Paulo Conde, aproveitaram para atacar o prefeito carioca: “Vota no César Maia, vota!”.

Laços lusitanos
O professor Bayard Boiteux, que está em Portugal, na cidade do Porto, para realizar uma palestra sobre “Planejamento e Marketing no Turismo Brasileiro”, lança hoje, numa parceria com o Instituto de Planejamento e Desenvolvimento do Turismo daquele país, um MBA em destinos turísticos, voltado para a preparação de cidades. O corpo docente será brasileiro e português. Boiteux divulgará ainda um programa de pesquisas sobre o perfil do turista brasileiro que visita Portugal e do viajante brasileiro que vai às cidades do Porto e Lisboa.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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