Autonomia: Objetivo é separar o ciclo político de política monetária

A mudança é o resultado de um longo processo de amadurecimento institucional.

Em nota postada nesta quinta-feira, em seu site, o Banco Central se posicionou sobre o que representa para a autarquia a autonomia. “O Brasil deu ontem (quarta-feira) um passo importante com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que garante autonomia ao seu banco central, com base no texto aprovado pelo Senado e no projeto de lei complementar encaminhado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019”, destacou a nota ressaltando que uma das principais razões para a autonomia do banco central é separar o ciclo político do ciclo de política monetária.

Segundo o BC, a mudança é o resultado de um longo processo de amadurecimento institucional, onde os benefícios de um banco central autônomo, transparente e responsável foram ficando claros para a sociedade. Para o BC, por sua própria natureza, a política monetária requer um horizonte de longo prazo, por conta da defasagem entre as decisões de política e seu impacto sobre a atividade econômica e a inflação. Em contraste, o ciclo político possui um horizonte de prazo mais curto.

“A literatura econômica e a experiência internacional mostram que um maior grau de autonomia do banco central está associado a níveis mais baixos e menor volatilidade da inflação – sem prejudicar o crescimento econômico. As evidências também indicam que a maior autonomia do banco central contribui para a estabilidade do sistema financeiro. Portanto, essa é uma mudança que trará benefícios importantes ao país no médio e longo prazos”, discorre o texto.

De acordo com o BC, no Brasil, ao longo dos últimos 25 anos, tanto a inflação quanto as taxas de juros convergiram gradualmente para níveis que refletem o aumento da credibilidade da política monetária.

“A aprovação e sanção de um marco legal que garanta a autonomia operacional ao Banco Central do Brasil (BC) proporcionará maior confiança de que o banco central será capaz de cumprir seus objetivos. A autonomia legal promoverá maior credibilidade ao BC e, assim, facilitará a obtenção de inflação baixa, menores juros estruturais, menores riscos e maior estabilidade monetária e financeira. Além disso, a autonomia permite à instituição buscar seus objetivos, estabelecidos em lei e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de maneira técnica, objetiva e imparcial, reduzindo a instabilidade econômica em períodos de transição de governo, e alinhando o BC às melhores práticas internacionais”, frisa o banco.

Mudanças com a autonomia:

– Define a estabilidade de preços como objetivo fundamental do BC. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental, a instituição também terá por objetivos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego;

– Determina mandatos fixos e não coincidentes de 4 anos para os diretores e para o presidente. Esses mandatos se sobrepõem apenas parcialmente ao mandato presidencial;

– Estabelece que a exoneração de diretores e presidente da instituição só se dará em casos justificados, e com aprovação, por maioria absoluta, do Senado Federal;

– Mantém os poderes legítimos do corpo político para sabatinar os diretores e o presidente e definir as metas mais específicas para a política monetária;

– Define o BC como autarquia de natureza especial caracterizada pela ausência de vinculação a Ministério; e

– Garante a transparência e a prestação de contas, já que o presidente do BC deverá apresentar, no Senado Federal, em arguição pública, no primeiro e no segundo semestres de cada ano, relatório de inflação e relatório de estabilidade financeira, explicando as decisões tomadas no semestre anterior.

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