Auto-retrato

Não deixa de ser um espelho do governo Lula que Henrique Meirelles – sobre quem pesam acusações ainda não respondidas na Justiça sobre movimentação de recursos no exterior – continue na presidência do Banco Central enquanto o patriota Carlos Lessa é demitido do BNDES.

Auto-retrato II
Enquanto Lula comunicava a Lessa que o economista não era mais o presidente do BNDES, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, se reunia com a diretora do FMI Teresa Ter-Minassian.

Abandono e castigo
Além de consolidar e radicalizar a opção antidesenvolvimentista do governo Lula, a demissão de Carlos Lessa do BNDES reafirma o pouco apreço petista pelo Rio, estado que deu 80% dos votos válidos a Lula. Depois de ficar sem os ministros da Ciência e Tecnologia (Roberto Amaral), do Desenvolvimento Social (Benedita da Silva), das Comunicações (Miro Teixeira) e o presidente da Eletrobrás (Luiz Pinguelli), o Rio, com a saída de Lessa, fica totalmente alijado do primeiro escalão. E ainda tem petista que não entendeu por que Jorge Bittar, amargou cerca de 1/4 da votação histórica do partido no estado, atrás dos votos nulos e em branco.

Fumaça
A desculpa de que Carlos Lessa foi demitido por tornar pública divergências com o Banco Central esbarra num fato recente: a briga entre o BC e a Petrobras em torno do reajuste dos combustíveis. A nota da estatal foi muito mais dura do que qualquer declaração de Lessa e nem por isso José Eduardo Dutra viu sua posição de presidente correr risco.

Produtivo, não!
Um dia após o BNDES anunciar que nunca se financiou tanto o setor produtivo local, a notícia de que a nova diretoria tem a missão de agilizar a liberação de empréstimos gerou uma dúvida: será que o governo busca mais financiamentos nos moldes do concedido à AES na gestão FH?

Desigualdade
Pela primeira vez no Brasil, a MacArthur Research Network realizará encontro entre economistas das principais universidades do mundo. O evento, que contará com a presença de Claudio Haddad, presidente do Ibmec e do Instituto Futuro Brasil, será realizado hoje e amanhã, no Ibmec/RJ. O encontro debaterá as desigualdades econômicas e terá, entre outros, Abhijit Banerjee (MIT) e os economistas do Banco Mundial Peter Lanjouw e Berk Ozler, que apresentarão o World Development Report 2004. O Ibmec fica na Av. Rio Branco, 108/5º andar).

Leão direto
Estimular pessoas e empresas a destinarem 1% ou 6%, respectivamente, do Imposto de Renda devido aos Fundos da Infância e da Adolescência (Fias) é o objetivo da campanha publicitária “Leão amigo 2004”, que será lançada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A gestão dos fundos é feita pelos conselhos de direitos da criança e do adolescente em âmbito federal, estadual e municipal, com a aplicação dos recursos em projetos para a população dessa faixa etária em situação de risco, como combate ao trabalho infantil. A Firjan parece entender que o dinheiro será melhor aplicado diretamente do que ir para o caixa único da União (onde acaba esterilizado para pagar juros).

Mediocridade
“O governo tem maioria. Por que não mobilizou sua base para votar? Se não tem consenso vamos para o voto. Isso é o pacto da mediocridade.” O desabafo, em tom de cobrança, foi produzido pelo então deputado federal Aloízio Mercadante (PT-SP), em 28 de agosto de 2002. Seu alvo era a demora do tucanato para votar a Medida Provisória (MP) do Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Com a transmutação dos petistas em tucanos, o apelo de Mercadante, hoje líder do governo no Senado, foi relembrado pelo PSDB para cobrar a mobilização da atual maioria para votar as 24 MPs que entupiram a Câmara dos Deputados. Nos dois casos, a agenda é a mesma: pró-banca.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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