Aval furado

A descoberta, apenas “três ou quatro anos depois”, para repetir as palavras do Banco Central, de que o PanAmericano tinha um rombo de R$ 2,5 bilhões expõe, mais uma vez, o papel das auditorias ditas independentes. Nem Deloitte – contratada pelo PanAmericano – nem Fator, KPMG e Bocater nem BDO – todas a serviço da Caixa – foram capazes de detectar uma diferença equivalente a quase duas vezes o patrimônio, de R$ 1,37 bilhão, da instituição cujos papéis examinaram. Como não é a primeira vez que isso acontece, já passou da hora de auditores passarem a ser co-responsáveis, para os efeitos cíveis e penais, por perdas não identificada em empresas que passem por seu exame.

Lá&cá
Nos Estados Unidos, por exemplo, contadores respondem solidariamente por problemas detectados pelo Leão estadunidense na declaração de seus clientes. A lógica é simples: ao apor sua assinatura na declaração, o profissional está avalizando os dados declarados pelo cliente. Por tal razão, o sócio de uma das principais consultorias do Brasil já confidenciou a esta coluna que, enquanto em declarações do Imposto de Renda de grandes clientes brasileiros dá apenas uma breve passada de olhos, nas oriundas dos Estados Unidos, só assina, após examinar e conferir detidamente os dados.

Profetas do passado
Mais surreal que a participação das auditorias no caso PanAmericano foi o “mico” pago por agências de classificação de risco, como Fitch e Moody”s. Esta, que até a véspera atribuía perspectiva positiva para os papéis emitidos pelo banco de Silvio Santos, depois que o problema veio à tona, decidiu colocar o rating do PanAmericano em viés de baixa. A Fitch anunciou, nesta quinta, que rebaixou a classificação. A mesma função poderia ser desempenhada pelo Conselheiro Acácio, a preços bem mais módicos. Não por acaso, a cada dia, agências de classificação de risco e institutos de pesquisa eleitoral ficam cada vez mais parecidos na sua obsolescência.

No escuro
Presença fácil nos insuportáveis “infomerciais”, a empresa Import Express, que vendia a máquina fotográfica Tekpix DV 3100, foi multada em R$ 310,5 mil pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, por publicidade enganosa. Segundo o MJ, houve centenas de reclamações nos Procons quanto à qualidade da máquina: o importador garantia filmagens e fotos de qualidade quando, na verdade, se tratava de um modelo que sequer tinha flash embutido. De acordo com laudo anexado ao processo, a câmera “tecnicamente não possui recursos para realizar fotografias noturnas”.

Segunda classe
Talvez tão grave quanto foi a forma como a Import Express se referiu a seu público alvo, alegando que a máquina possuía tecnologia compatível às expectativas dos consumidores de baixa renda. “O argumento não apenas subestima a atuação dos órgãos de defesa do consumidor como também os próprios consumidores em geral. O Código não faz distinção de classe social”, afirma a diretora do DPDC, Juliana Pereira. Entre os anos de 2004 e 2009, foram comercializadas 592.300 mil câmeras digitais deste modelo em todo o Brasil.

Balão
Não se sabe se para queimar ou badalar, um jornal paulista publicou que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, indicou a Dilma o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, para o Ministério. Quem conhece a situação da saúde no estado sabe que a chance disto acontecer é similar ao do Grêmio Prudente escapar do rebaixamento no Brasileirão.

Mais poesia
O espetáculo Delicadezas, noticiado por esta coluna na edição de quinta-feira, teve a participação também da atriz Lucrecia Corbella, que interpretou os poemas.

Mercado bilionário
Para discutir as oportunidades oferecidas pelo marketing esportivo e as leis de incentivo ao esporte, a Câmara Brasil-Alemanha (AHK RJ) realizará no próximo dia 19, no Hotel Windsor Excelsior Copacabana, o Seminário Rio Business Sport Marketing. O objetivo é oferecer às empresas alemãs e brasileiras possibilidades de negócios relacionados ao esporte aqui e na Europa. A indústria do esporte movimenta US$ 680 bilhões por ano nos Estados Unidos e US$ 250 bilhões no Japão. O Brasil já está entre os dez primeiros mercados esportivos do mundo, com faturamento de uns R$ 34 bilhões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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