Avaliação melhora com menos alimentos?

Ajuda emergencial não sustentará avanço na aprovação de Bolsonaro.

Conjuntura / 22:27 - 25 de set de 2020

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Metade dos brasileiros cortou gastos com alimentos. É o que apontou a Pesquisa Exame/Ideia, realizada entre 21 e 24 de setembro, com 1.200 em todo o Brasil. Ainda segundo o levantamento, a avaliação do governo começa a emitir sinais de possíveis impactos negativos da deterioração do poder de compra (redução do auxílio + inflação de alimentos). O recuo de R$ 600 para R$ 300 na ajuda emergencial e a brusca redução no número de beneficiados também contribuirão negativamente.

A situação tende a piorar com o preço de produtos como arroz e óleo de soja aumentando durante a pandemia. No momento, além de um possível novo aumento nos valores, há risco de que esses e outros itens faltem nas prateleiras devido a problemas na produção das embalagens. Segundo o site Tribuna Online, de acordo com João Falqueto, presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), há uma preocupação de escassez dos produtos por conta de falta de insumos para a produção de embalagens, que estão ficando mais caras de se produzir. Ele classificou o aumento de preço nos produtos como “inevitável”.

A pesquisa aponta que para a maioria da população (56%) o arroz está muito mais caro e houve diminuição de consumo. Para a população mais pobre esse número atinge 75%, quase 20 pontos percentuais acima da média. A expectativa é majoritária (55%) que o arroz e alimentos seguirão aumentando. Os mais pobres são os mais pessimistas (75%).

A percepção de aumento de custo é significativamente maior que os índices de inflação oficiais (72%) e principalmente (78%) entre os mais pobres. Diante desse contexto, lazer/turismo (66%) e serviços em geral (57%) lideram os itens de corte despesas. Com destaque para os jovens (70%) do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

 

Responsável

 

O responsável principal, segundo a pesquisa, é a política econômica do governo (41%) e entre os mais pobres esse patamar salta para 51%. Quando o assunto é reforma administrativa e Renda Brasil, o país está tecnicamente dividido entre congelar recursos dos aposentados para financiar o programa: 44% concordam com o presidente Jair Bolsonaro quando ele vetou o Renda Brasil ("cartão vermelho"), pois para isso seria necessário retirar recursos utilizados para o pagamento de aposentados; 38% discordaram.

Os que aprovam o presidente Jair Bolsonaro formam o grupo mais alinhado com o anúncio do presidente (59% a favor da declaração). Quando indagados sobre a fonte de recursos para um programa de renda básica, é esmagadora (73%) a percepção que deve se cortar privilégios de políticos. Entre os mais pobres esse índice chega a 80% . A percepção que a classe política vive em outra realidade segue firme no Brasil.

O ótimo/bom do governo oscilou negativamente de 35% para 34%, enquanto a parcela da população que avalia o governo em ruim/péssimo saltou de 35% para 39% no período. Já a aprovação do governo também mostrou fraqueza ao sair de 40% para 35% a parcela de quem aprova a administração do governo Bolsonaro. A parcela dos que desaprovam oscilou de 40% para 43%.

O pior desempenho na popularidade do governo foi observado de maneira mais marcante entre o público feminino (47% de ruim/péssimo) e nas classes de menor renda (54% dos que recebem até um salário mínimo desaprovam o governo, vindo de 43% há um mês), refletindo um possível impacto negativo da redução do auxílio emergencial combinado com o aumento do custo dos alimentos.

 

 

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