Avenida Brasil

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A tentativa de reduzir desde já a disputa presidencial a tucanos e petistas esbarra na saturação do eleitorado com as políticas que asfixiam o país há cerca de 15 anos. Se esse sentimento vai ou não se materializar num candidato competitivo fora dos círculos financistas é uma questão em aberto. No entanto, a revelação de que 17% dos eleitores não votariam nem em Lula nem em Serra, num hipotético segundo turno dos sonhos da banca, reafirma que o espaço para uma alternativa desenvolvimentista e pela justiça social está em aberto.

Os donos do poder
O PSDB não pode defender a política econômica do governo Lula, se não quiser correr o risco de perder a eleição. A advertência é do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT): “Em 2002, Serra era o candidato que representava a política desenvolvimentista. Era o candidato contra Lula mas também contra o malanismo”, defende o senador em entrevista publicação Congresso em Foco.
Para o tucano, o presidente Lula vai se arrepender de manter Antonio Palocci no ministério e será abandonado em junho pelos “donos do dinheiro”. Para ele, apenas os bancos querem a manutenção do ministro da Fazenda: “Quem sustenta o Palocci são os banqueiros. Os banqueiros têm força na mídia. São os donos do dinheiro do mundo que defendem o Palocci. Não me venha dizer que é o mercado. Qual mercado? A agricultura vai mal, a economia vai mal, a pecuária vai mal, não há uma política de investimentos em portos, não há investimentos em rodovias, não há investimentos em ferrovias, não há uma política de geração de empregos, o Estado não participa de uma política indutora de desenvolvimento, então, o mercado vai mal. Qual mercado que vai bem? Só se for o Itaú, o Bradesco, o Banco de Boston. O Boston nunca ganhou tanto dinheiro, coincidentemente depois da assunção de (Henrique) Meirelles na presidência do Banco Central”, critica o tucano.

Autocrítica
Perguntado se a influência da banca não se manifestava também no interminável governo FH, Barro foi de sinceridade pouco comum no tucanato: “Os banqueiros têm força no governo, qualquer que seja ele. Os banqueiros têm força nos partidos políticos, todos eles. Essas pessoas são fortes e têm influência para manter o Palocci. O Palocci é uma figura simpática. É gentil. Quando vem ao Congresso, mesmo quando foi chamado, trata bem os seus interlocutores. Ele faz uma política econômica que não é dele. Ele manteve lá todos os auxiliares do Malan, numa política que precisava evoluir. O PSDB não pode defender essa política econômica, sob o risco de perder a eleição.

E a alternativa?
Para o senador tucano, um dos defensores da candidatura Serra no interior do partido, um dos principais temas da campanha do PSDB para a presidência da República tem de ser a geraçãos: “Para se preocupar com emprego, tem de se preocupar com desenvolvimento. Para se preocupar com emprego e desenvolvimento, tem que injetar dinheiro na economia brasileira”, defende.
Fica faltando explicar, entre outras coisas, como gerar emprego sem interromper a drenagem de dinheiro que ceva os donos do dinheiro e como o PSDB pretende romper com essa plutocracia.

Brasil reluzente
As vendas internas de gemas e metais preciosos devem fechar 2005 com crescimento de 5%, segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). Caso esse resultado se confirme, representará acréscimo de R$ 4,4 bilhões em relação às vendas do ano passado. O avanço mais brilhante do setor, no entanto, aconteceu no mercado externo, no qual as vendas deram um salto de 129% desde o início, há seis anos, da parceria entre o segmento e a Apex Brasil, do Ministério do Desenvolvimento. Apenas este ano, o Brasil participou de 18 feiras internacionais, que envolveram 129 exportadores nacionais.

Diversidade brasileira
Além do design, o país se beneficia da diversidade das suas jóias para seduzir compradores em um mercado que movimenta US$ 15 bilhões por ano. As peças brasileiras misturam materiais alternativos como couro, borracha, madeira, resina e fibras vegetais, inclusive gemas coradas. O setor tem nos Estados Unidos seu principal importador, seguido por Hong Kong, Suíça, Japão, Emirados Árabes e Rússia.

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