Aversão ao risco nos mercados

Quarta começou no positivo na Ásia, mas abertura dos mercados americanos perdendo consistência acabou por desacelerar a Europa.

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Ontem foi mais um dia de aversão ao risco no mercado internacional e também local. O dia até que começou positivo nos principais mercados asiáticos, foi reforçado logo cedo por boas altas na Ásia, mas, com a abertura dos mercados americanos perdendo consistência, acabou por desacelerar a Europa e mantendo a Bovespa oscilando em queda.

Na verdade, atravessamos um momento de aversão ao risco, determinada pela retomada do contágio pela Covid-19 em países e regiões e pela percepção de que será preciso fazer mais em termos de política monetária, mas principalmente na política fiscal. Tudo isso relacionado com as incertezas reinantes e assimetria na retomada da recuperação econômica. No Brasil, mais ainda por conta do quadro fiscal grave que exige muita determinação em fazer ajustes na economia, prejudicado por um Congresso que vai parando pelas eleições e um governo que flerta perigosamente com o populismo.

Nesta quarta-feira, diversos dirigentes regionais do Fed e o presidente Jerome Powell bateram de forma uníssona na mesma tecla, identificando a necessidade de novo pacote fiscal que virou uma novela entre os Republicanos e Democratas. Eric S. Rosengren, do Fed de Boston, não só falou disso, como se mostrou pessimista com a economia, e acha que a inflação atinge a meta em quatro anos, apesar da recuperação recente robusta dita por Richard Clarida. Powell disse que o programa de crédito para corporações e municípios já injetou mais de US$ 1 trilhão.

O secretário de Donald Trump, Mike Pompeo, declarou na ONU que o Irã, a China e a Venezuela ameaçam direitos básicos. Lá, o PMI composto de setembro caiu para 54,4 pontos, afetado pelo item de serviços em contração para 54,6 pontos e alta do industrial para 53,5 pontos. Na semana, os estoques de petróleo acompanhados pelo Departamento de Energia encolheram 1,6 milhões de barris na semana anterior.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque oscilou bastante entre positivo e negativo, e próximo do fechamento mostrava queda de 0,10%, com o barril cotado a US$ 39,76. Aliás, dia de queda para a maioria das commodities metálicas como o cobre e minério de ferro. O euro era transacionado em queda para US$ 1,167 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,68%. O ouro, e principalmente a prata, tiveram forte queda na Comex e commodities agrícolas também com viés negativo.

No segmento doméstico, foi divulgada a prévia da inflação oficial pelo IPCA-15 de setembro com alta de 0,45% (anterior em 0,23%), a maior para o mês desde 2012. Em 2020, a inflação atinge 1,35% e em 12 meses com 2,6%. O índice de difusão foi de 55,95%, de anterior em 52,59%. O Bacen anunciou dados do setor externo, com o investimento direto no país (IDP) de US$ 1,43 bilhão, somando no ano US$ 27 bilhões e em 12 meses com US$ 54,5 bilhões. O investimento em ações de agosto foi positivo em US$ 354 milhões, mas no ano, as saídas montam a US$ 17,2 bilhões. A posição cambial líquida estava em US$ 299 bilhões e ganhos com swap cambial em agosto de R$ 10,6 bilhões.

O fluxo cambial até o último dia 18 estava negativo em 3,45 bilhões, com financeiro de saída de US$ 3,07 bilhões. No ano, o fluxo está também negativo em US$ 15,2 bilhões, o pior desde 1982. Por enquanto, o IDP cobre o déficit em conta-corrente de US$ 8,5 bilhões até agosto, mas essa relação pode piorar nos próximos meses depois de 5 meses seguidos de superávit.

No mercado, o dólar teve outro dia de alta, com valorização de 2,10% e cotado a R$ 5,595. Na Bovespa, na sessão do dia 21, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 213 milhões, deixando o saldo de setembro negativo em R$ 3,39 bilhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de R$ 88,7 bilhões.

No mercado acionário, a Bolsa de Londres encerrou em alta de 1,20%, Paris com +0,62% e Frankfurt com +0,39%. Madri e Milão também com altas de respectivamente 0,08% e 0,18%. No mercado americano, dia de Dow Jones com -1,92% e Nasdaq com -3,02%. Ações de tecnologia voltaram a pressionar na queda e Tesla perdendo mais de 10%. Na Bovespa, dia de queda de 1,60% e índice em 95.734 pontos.

Na agenda desta quinta, teremos a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação e a confiança do comércio de setembro. Nos EUA, saem os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, a venda de casas novas de agosto, o índice de atividade industrial de Kansas e discursos de vários dirigentes do Fed.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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