B3 lucra R$ 1,25 bi no trimestre, aumento de 22,5%

“As pessoas têm movimentado as suas carteiras em artigos de maior risco, mas quando olhamos mais adiante ainda há incertezas sobre a retomada econômica”. A observação é de Daniel Sonder, vice-presidente Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores da B3. A Bolsa Paulista divulgou os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2021.

A receita total atingiu R$ 2,667 bilhões no 1T21, alta de 25,5% em relação ao 1T20, com crescimento de receita em todos os segmentos. Na mesma base de comparação, o lucro líquido atribuído aos acionistas da B3 atingiu R$1,256 bilhão, aumento de 22,5%. Os dados foram divulgados na noite de quinta-feira, após fechamento do mercado.

Segundo a B3, volumes transacionados continuaram a crescer influenciados por conjuntura macroeconômica atrativa para o desenvolvimento dos mercados de capitais, com inflação e taxas de juros baixas. “A manutenção dos altos volumes negociados em nossas plataformas contribuiu com um sólido desempenho financeiro no primeiro trimestre. As receitas totalizaram R$2,6 bilhões, 5% acima do 4T20 e 25% maior que no 1T20”, citou Sonder.

Ele explicou que a alavancagem operacional da Companhia alinhada à disciplina de despesas contribuiu com o crescimento de 24% do nosso Ebitda, que atingiu R$ 1,9 bilhão. “No 1T21, também continuamos o apoio à sociedade no combate à pandemia juntamente com a B3 Social, associação sem fins lucrativos na qual a B3 é associada-fundadora, com R$ 15 milhões aprovados em ações ligadas à emergência de saúde e segurança alimentar.”, relatou.

Taxa de juros

“A taxa de juros básico da economia foi elevada em 75bps por duas vezes em 2021 até o momento (nos meses de março e maio), chegando a 3,50% e revertendo sua trajetória de queda observada desde 2015, mas ainda mantendo-se em um patamar muito inferior à média histórica”, cita Gilson Finkelsztain, presidente da B3.

Ele acredita que o ambiente atual de taxas de juros é capaz de manter as condições necessárias para o desenvolvimento do mercado de capitais local e para a retomada da atividade de crédito no Brasil, assim que a economia iniciar sua recuperação. Nesse contexto, a atividade de captação de renda variável se manteve aquecida no trimestre, com 15 IPOs e 7 follow-ons, que totalizaram R$32,8 bilhões. O ADTV atingiu R$36,8 bilhões no 1T21, 17% acima da média observada no 4T20.

Segundo Finkelsztain, nesse período de crescimento de volumes, a B3 manteve o foco na excelência operacional, garantindo a estabilidade das nossas plataformas nos mais altos níveis de disponibilidade, fortalecendo nossa posição como infraestrutura robusta e segura para os nossos clientes e o mercado. “Estamos investindo fortemente para aumentar a capacidade de processamento da nossa infraestrutura de tecnologia e continuar atendendo a expansão do mercado.”, comentou.

Destaques do trimestre

Segmento Listado: receita de R$1,893 bilhão (71,0% do total), 25,7% maior do que no 1T20. O resultado foi impulsionado pela recuperação do valor dos ativos no segmento de ações à vista, que no fim do 1T20 já sofriam com os efeitos do início da crise causada pela Covid-19, além dos novos IPOs que ocorreram ao longo dos últimos 12 meses, e por maiores volumes negociados nas plataformas, tanto em ativos de renda variável como em derivativos listados, reflexo de uma base maior de investidores e de volatilidade advinda de incertezas político-econômicas no período.

Segmento Balcão: receita de R$ 269,6 milhões (10,1% do total), aumento de 10,6% sobre o 1T20, refletindo o volume de emissões e o estoque de instrumentos de captação bancária registrados no 1T21, que cresceram 6,7% e 38,0%, respectivamente, em função, principalmente, do crescimento de emissões de CDB, que representaram 73,1% das novas emissões durante o trimestre. Já o estoque médio de instrumentos de dívida corporativa aumentou 1,8%, com as debêntures de leasing representando 23,6% do estoque médio de dívida corporativa no 1T21 (vs 29,9% no 1T20). Outro destaque do mercado de renda fixa foi o contínuo crescimento do Tesouro Direto (TD), cujo número de investidores e o estoque em aberto cresceram 21,3% e 3,1%, respectivamente.

Segmento Infraestrutura para Financiamento: R$122,1 milhões (4,6% do total), alta de 17,1%, em razão da retraída base de comparação do 1T20, fortemente abalado pelo início da pandemia de Covid-19 no país, e (i) correção anual dos preços pela inflação (IPCA) e (ii) crescimento dos novos serviços do segmento, em especial as operações da Portal de Documentos e a Plataforma Imobiliária.

Segmento Tecnologia, dados e serviços: receita de R$327,5 milhões (12,3% do total), alta de 24,8% sobre o 1T20. A quantidade média de clientes do serviço de utilização mensal dos sistemas do segmento Balcão aumentou 9,7%, resultado, principalmente, do crescimento da indústria de fundos no Brasil. A quantidade de TEDs processadas diminuiu 4,2%, devido à expansão da utilização do PIX em detrimento às TEDs no período

Reversão de Provisões: R$55,5 milhões (2,1% do total), explicado, principalmente, pela reclassificação da probabilidade de perda, de provável para possível, da disputa judicial com o Banco BMD. Tal reclassificação resultou em uma reversão de provisão de R$53,6 milhões no trimestre, a qual foi reconhecida contabilmente em parte como receita (impacto positivo não recorrente de R$55,5 milhões) e em parte como despesa (impacto negativo não recorrente de R$ 1,9 milhão).

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