Babalorixás

Para os que, ainda, acreditam nos oráculos do mercado financeiro na imprensa, vale lembrar os palpites dessa turma no pré-crise. Em dezembro de 2007, apenas três meses antes de o Bear Sterns ir à breca, em março de 2008, a revista Fortune elegera o banco de investimento norte-americano como  “a mais admirada” empresa dos Estados Unidos, “quiçá do mundo”. Instalado em Wall Street desde 1923, o bancão, que sobrevivera à crise iniciada em 1929, foi passado nos cobres pelo Federal Reserve (Fed), para o JPMorgan Chase.

Carne&açúcar
As exportações brasileiras para os países árabes recuaram 5% em 2009, segundo a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que reúne 22 países daquela região além do Brasil. A Câmara, porém, prevê recuperação significativa em 2010, apostando que as vendas de carnes e açúcar serão os principais responsáveis por puxar os negócios. Os dois produtos responderam por pouco mais da metade dos negócios entre o Brasil e os árabes ano passado: 28,8% (carnes) e 27,4% (açúcar) das vendas. Em dólares, as exportações totalizaram US$ 2,71 bilhões e US$ 2,57 bilhões, respectivamente.

Mestre Pet
Em entrevista a Ana Maria Braga, o jogador de futebol Petkovic mostrou que sabe das coisas não apenas dentro do campo. Ao ser perguntado pela apresentadora sobre “como você foi nascer num país com tanta dificuldade?”, Petkovic respondeu de bate-pronto: “Quando nasci não tinha dificuldade nenhuma, era um país socialista, todo mundo bem, todos tinham salário, todos tinham emprego. Problemas aconteceram depois dos anos 80”, ensinou, numa referência ao desmonte da Iugoslávia, onde nasceu na província da Sérvia.

Buraco sem fundo
O Banco do Brasil não pode mais cobrar tarifa a cada vez que o correntista ultrapassar o limite do cheque especial. A cobrança, segunda decisão liminar do juiz Cesar Augusto Rodrigues Costa, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, só pode ser realizada na primeira vez em que o limite for ultrapassado. O BB cobra R$ 30 várias vezes, sob a rubrica da Tarifa de Adiantamento de Depositante, até quando a própria cobrança faz o cliente “estourar” o cheque especial. Segundo o Ministério Público, outros bancos cobram essa mesma taxa apenas uma vez.

Bolas da vez
O Goldman Sachs está mais uma vez na berlinda – desta vez por heterodoxas operações financeiras executadas na Grécia. Mas em uma coisa o banco de investimentos parece ter acertado: a criação do nome Bric para designar os países que deverão decolar nos próximos anos. O economista-chefe do Sachs, Jim O”Neil, participa do seminário “Uma agenda para os Brics”, segunda e terça próximas, no Rio de Janeiro. Um centro de estudos sobre Brasil, Rússia, Índia e China será inaugurado na capital fluminense em maio. E quem quiser se aprofundar no assunto pode contar com o ciclo de palestras “Os países do Bric e as principais questões geopolíticas”, que Osvaldo Nobre, autor do livro Bric ou RIC, fará de 11 de março a 13 de abril, também no Rio. Inscrições limitadas. Informações: (21) 3419-5642.

Lição
Entre 2003 e 2008, período do Governo Lula, os países da América Latina que tiveram maior crescimento econômico foram os que trilharam caminhos mais distantes do neoliberalismo. A Argentina, para desgosto dos ortodoxos e da grande mídia brasileira, lidera a lista, com alta de 63,58% no PIB; vêm a seguir Panamá (57,19%), Uruguai (51,87%) e Venezuela (50,89%). A Colômbia de Uribe ficou em sétimo lugar, com apenas 38,71; e o Chile amargou a 11ª posição, com alta de 32,59.
O Brasil, que manteve a maior parte da política econômica de FHC, cresceu apenas 26,44%, num modesto 14º lugar. O lanterna foi o ultraliberal México, com crescimento de apenas 19,35%.

BBB dos neocom
Publicações desenvolvimentistas, inclusive o MM e blogs de acadêmicos, estão sendo monitoradas por correntes retrógradas da política e da economia, o que demonstra estarmos do lado certo. Um dos alvos do patrulhamento foi a entrevista publicada na edição de Carnaval com o professor José Luiz Oreiro, da UnB. Incomodados com a observação de Oreiro de que o crescimento antecede a poupança, e não o inverso, os neocom tupiniquins forneceram novo argumento contra o fanatismo ortodoxo, ao admitirem que o aumento da poupança gera sobrevalorização cambial no longo prazo. É tudo de que o Brasil não precisa.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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