Bacia das almas

A informação de que a italiana Eni pagou um ágio de 15.000%, equivalente a R$ 300 milhões, por um bloco da Bacia de Santos, cujo preço a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fixara em R$ 2 milhões, nos deixa diante de duas opções. Ou os executivos da empresa italiana enlouqueceram e resolveram queimar dinheiro ou os conhecimentos da ANP sobre o mercado de petróleo deveriam ser examinados por uma CPI.

Contramão
Na mesma semana em que, também no Equador, a população elegeu um presidente que fez da recuperação da soberania sobre os recursos naturais uma das suas principais bandeiras de campanha, o presidente Lula se manteve como o único chefe de governo de país em desenvolvimento do mundo a oferecer – e por verdadeiras pechinchas – o petróleo nacional à exploração e comercialização por empresas estrangeiras.
E pensar que, faz pouco mais de um mês, Lula disparou nas pesquisas para a vitória no segundo turno ao acusar seu adversário, o tucano Geraldo Alckmin, de ter o gene da privatização no DNA.

Rio em alta
A queda continuada da taxa de analfabetismo - que atualmente está em 4,8% da população, o menor nível da década – é um dos destaques do Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro/2006, que será lançado nesta quarta-feira. Outro avanço importante apontado pelo o presidente da Fundação Cide (o IBGE fluminense), Ranulfo Vidigal, é a queda constante da taxa de mortalidade infantil, que atualmente é praticamente metade do que era na segunda metade dos anos 90. O anuário mostra também o dinamismo da economia, com destaque para os setores do petróleo, indústria naval, automobilística e serviços associados à cultura e turismo.

Amarras
Uma semente que custa menos de R$ 1 na Amazônia pode ser vendida como jóia, depois de processada, por 100 euros na Europa. Este foi um dos problemas sobre os direitos de propriedade intelectual que foram debatidos dentro do Fórum Mundial sobre Economia Criativa para o Desenvolvimento, no Rio. Foram apresentados prós e contras do atual modelo de propriedade intelectual, que prejudicam principalmente os países emergentes ou em desenvolvimento.
Participaram do debate o ministro da Cultura, Gilberto Gil, o assessor especial da presidência do BNDES Sérgio Sá Leitão, o representante da Unesco Joxean Fernández e o escritor inglês John Howkins, entre outros.

Financiando o cinema
Atendendo a antiga reivindicação da categoria, a indústria audiovisual vai ganhar seu fundo de financiamento. A Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, a criação do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), acolhendo o substitutivo da Comissão de Educação e Cultura (CEC), de autoria da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).
O FSA financiará programas e projetos da indústria audiovisual brasileira com recursos, principalmente, da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica (Condecine), tributo que incide sobre veiculação, produção, licenciamento e distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, além de taxar a remessa de lucro, ao exterior, de produtores e distribuidores de filmes estrangeiros.
O projeto depende, agora, da aprovação do Senado e, mais importante, escapar dos cortes da equipe econômica. Aliás, será que o ministro Mantega gosta de cinema nacional?


O IBGE deve confirmar, nesta quinta-feira, mais um trimestre perdido. A certeza de que o crescimento do PIB está ruim, mas pode piorar, une até os economistas do “mercado”, que, na ausência de explicações para a eternização do desempenho medíocre, desandaram a entoar mantras. “É preciso fazer alguma coisa com os marcos regulatórios”, cantam alguns; “O governo tem que dar uma demonstração de controle de seus gastos”, meditam outros. O transe não tem fim.

Mauá
O presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, receberá dia 5 a Medalha do Mérito Mauá. A comenda é entregue pelo Ministério dos Transportes a pessoas ou empresas que se destacam no progresso do setor.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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