Baixa velocidade

Segundo um estudo realizado pelo presidente da Artificium Tecnologia, Cláudio Senna, somando tempo gasto em check in, espera para embarcar e desembarcar e o desembaraço das bagagens, uma pessoa gasta, em média, quatro horas e meia com a ponte aérea Rio/São Paulo. Com o trem-bala (TAV), que viajaria a 350km/h, seriam gastos cinco minutos a mais. “Há maneiras mais baratas e eficientes de lidar com este problema”, concluiu Senna, em debate realizado quarta-feira na Fecomercio-SP.

Local errado
Carlos Schad, presidente da Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná (ADTP), ressalta que o problema não se restringe aos tempo ou a rentabilidade do trajeto, mas também abrange o local onde a estação paulistana está sendo construída. “Os executivos que formariam a clientela fixa do TAV não estão na Zona Norte, estão na Sul e na região da Paulista”, aponta. “O Município terá que investir muito na reestruturação da Zona Norte, praticamente construir uma nova cidade se quiser que o projeto dê certo.”
O vice-presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Rogério Belda, concorda que a estação será construída em local inadequado, porém por motivos diferentes. “A estrutura desta estação é semelhante a de um aeroporto, e contará com um fluxo intenso de comida, cargas e serviços de manutenção pesada”, esclarece. “Esta estação deveria ser construída na periferia, não no centro da cidade.”

Contribuinte
Por fim, no que diz respeito ao retorno financeiro, Rogério Belda, da ANTP, acredita que o trem-bala brasileiro tem a demanda assegurada. “O problema é que esta demanda sempre leva um tempo maior do que o esperado para começar a se estabelecer e, por isso, a empresa que assumir este projeto deve ter fôlego suficiente para esperar a estabilização da procura pelo serviço”, adverte. Como a garantia é do Governo Federal, já se sabe quem ficará com a conta por esta espera.

Pró fila
Ao responder a críticas dos empresários sobre o excêntrico processo de substituição de relógios de ponto eletrônico por modelos que permitam a emissão de um comprovante para o trabalhador, o Ministério do Trabalho assegurou que há modelos que imprimem em 0,2 segundos, o que descartaria a crítica de filas de empregados esperando para entrar.
A menos que sejam operados pelo Lewis Hamilton, é difícil acreditar. Ficariam na mesma categoria de impressoras a laser que garantem render 5 mil páginas com um toner, mas não passam de mil.
Uma conta menos fantasiosa chegaria a pelo menos dois segundos por comprovante. Em uma fábrica com mil operários, seriam mais 2 mil segundos para bater o ponto. Ou seja, mais de meia hora na fila.

Sem aprovação
O novo sistema de ponto eletrônico não recebe críticas apenas dos empresários. Trabalhadores também não gostaram da idéia de ter que guardar centenas de pequenos comprovantes para garantir seus direitos. Se desagrada a gregos e troianos, a mudança às vésperas das eleições agrada a quem?  Não seria mais útil e menos oneroso exigir softwares de controle com segurança e possibilidade de serem auditados pelos fiscais do Trabalho ?

Avanço
As energias renováveis representaram 50% da nova capacidade elétrica instalada nos Estados Unidos ano passado, enquanto na Europa foram 60%, segundo as Nações Unidas. Cerca de 80GW de fontes renováveis foram acrecentadas, apesar da queda de 7% dos investimentos no setor, de US$ 173 bilhões em 2008 para US$ 162 bilhões no ano passado.
O tema estará em debate no 5º Congresso Internacional de Bioenergia, que acontece de 10 a 13 de agosto de 2010, em Curitiba (www.bioenergia.net.br)

Contas
Segundo estudo realizado pela Unilever, 60% dos brasileiros planejam suas despesas diariamente, porém apenas 3% consideram o dinheiro importante em suas vidas. A mesma pesquisa foi realizada no México e na Argentina, onde respectivamente, 42% e 31% se preocupam com a programação financeira. A multinacional disse que realizou a pesquisa, motivada pelo “desejo de uma vida mais saudável e livre”. Nada mais antagônico do que o planejamento financeiro diário.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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