Baixas temperaturas e geadas trazem prejuízos a agricultores

Balança comercial do agro, entretanto, apresentou superávit de US$ 43,7 bilhões no acumulado do ano, de janeiro a abril.

Onda de frio considerada histórica pelos meteorologistas que avançou sobre o Brasil é uma das preocupações desta queda de temperatura são os produtores rurais, que precisam estar preparados para contabilizar os prejuízos causados pelo frio intenso.

Nas áreas do Sul, por exemplo, Santa Catarina chegou a registrar -2,4ºC com geada. Outras regiões do Sul também registraram geadas e temperaturas quase negativas. General Carneiro, no Paraná, com 0,3°C; Vacaria, no Rio Grande do Sul, com 1,4°C; Inácio Martins (PR), 1,7°C; São José dos Ausentes (RS), 2°C e o também catarinense Rio Negrinho com 2,9°C.

As geadas criam um cenário de forte preocupação para o agronegócio do país. A região Sul, por exemplo, tem uma forte presença quando se fala em extrativismo, agropecuária, indústria, entre outros. Há uma intensa produção de soja, tabaco, cana de açúcar, laranja, uva, além da criação de gado. Minas Gerais, também listada como região que será fortemente afetada, é conhecida por ser o maior produtor nacional de café.

Douglas Duek, CEO da Quist Investimentos, atua constantemente no setor de agronegócios e afirma que, em casos como estes, o impacto pode ser sentido, inclusive, em âmbito internacional, já que o Brasil é um dos maiores exportadores de café. “O que acontece é que, caso ocorra queda na produção, o mercado pode ameaçar um aumento nos preços”, explica.

Duek conta que ainda é cedo para saber se haverá ou não impactos na safra de 2022, mas existem grandes chances de que as produções sejam duramente atingidas pelo fenômeno e, consequentemente, o bolso do consumidor. Além disso, os prejuízos para o produtor costumam ser muito altos. “Isso significa grandes prejuízos para o agricultor”, completa.

A balança comercial do agronegócio brasileiro apresentou superávit de US$ 43,7 bilhões no acumulado do ano, de janeiro a abril de 2022. As exportações do setor no mesmo período tiveram alta de 34,9%, enquanto as importações registram estabilidade, com alta de 0,7%, na comparação com o mesmo período de 2021. Os dados foram divulgados na última quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Como o saldo dos demais bens foi um déficit de US$ 23,5 bilhões no mesmo período, o saldo da balança comercial total (com produtos de todos os setores da economia) apresentou superávit de US$ 20,2 bilhões.

O agronegócio exportou US$ 14,9 bilhões em abril, o que contribuiu para um superávit de US$ 13,6 bilhões no saldo da balança comercial do setor, crescimento de 15,2% frente ao mesmo mês de 2021. As importações brasileiras do setor totalizaram US$ 1,3 bilhão no mês, com alta de 11,7% na comparação interanual. Porém, os demais bens fecharam o mês de abril com déficit de US$ 5,5 bilhões – sendo US$ 3,7 bilhões a mais que no mesmo período de 2021. Ainda assim, a balança comercial total encerrou abril com saldo positivo de US$ 8,1 bilhões.

Na comparação com o mês de abril de 2021, houve crescimento de 14,9% do valor exportado do setor. Esse resultado segue tendência de alta observada desde fevereiro de 2021, que teve seu pico nos primeiros meses deste ano, período de entressafra e típico de baixas importações para o Brasil.

A soja ainda lidera as exportações do agronegócio no país. Em relação a abril do ano passado, a soja em grão registrou significativa queda no volume exportado por conta da sobreoferta de carne suína da China, o maior consumidor do produto. O resultado foi a formação de estoques de carne congelada e redução de investimentos da reposição do rebanho, reduzindo também a demanda por rações. Em abril, o valor exportado da soja teve leve alta, motivado pelo aumento de 41,8% no preço do grão, ante abril de 2021.

Os preços médios de exportação da carne bovina seguem elevados por conta da demanda chinesa pela proteína. Por sua vez, as exportações de carne suína seguem aquém do ano passado, tanto em preço, quanto em volume, em razão da sobreoferta na China. Enquanto isso, a carne de frango continua expandindo mercados, uma vez que a Ucrânia tinha importante presença com o produto na Ásia. Os pesquisadores destacam o aumento de 27,2% no preço médio da ave e 5,6% nas quantidades exportadas da proteína.

No caso do trigo, principal item da pauta de importação do agronegócio brasileiro, a safra recorde em 2021/2022 e a demanda internacional aquecida explicam a sua participação também na pauta de exportação nos meses de março e abril, ainda que o volume enviado ao exterior em abril tenha sido cerca de um sexto do registrado em março. No entanto, as importações do cereal retornaram aos patamares de anos anteriores.

No total, o valor das importações cresceu 11,7% em abril, puxado pelo aumento geral de preços. Dos 16 produtos acompanhados nesta edição, 14 tiveram alta de preços, enquanto nove tiveram queda nas quantidades, incluindo quatro dos cinco itens mais expressivos da pauta de importações: pescados, produtos hortícolas, papel e malte.

O estudo inclui uma breve análise sobre fertilizantes, cujas importações, fundamentais para o bom desenvolvimento da próxima safra, seguem monitoradas pelos pesquisadores. Em abril, a entrada de adubos e fertilizantes no país foi 72,4% superior ao verificado em igual período de 2021, resultando em aumento de 6,4% no acumulado do ano.

Leia também:

Cana: safra começa com qualidade e produtividade inferiores à anterior

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Crescem buscas por passagens aéreas

Com férias de julho à vista, procura sobe em até 99% para voos internacionais e 108% para domésticos

Geladeiras devem exibir nova etiqueta de eficiência

Comércio varejista tem prazo até 30 de junho de 2023 para continuar vendendo os produtos com a etiqueta antiga.

Mercado pet deve crescer 14% em 2022

Chile é o país que mais importou produtos pets brasileiros no primeiro trimestre; setor prevê novas exportações neste ano.

Últimas Notícias

Crescem buscas por passagens aéreas

Com férias de julho à vista, procura sobe em até 99% para voos internacionais e 108% para domésticos

Geladeiras devem exibir nova etiqueta de eficiência

Comércio varejista tem prazo até 30 de junho de 2023 para continuar vendendo os produtos com a etiqueta antiga.

Mercado pet deve crescer 14% em 2022

Chile é o país que mais importou produtos pets brasileiros no primeiro trimestre; setor prevê novas exportações neste ano.

FGTS vira moeda do governo para movimentar a economia

Atualização monetária das contas do Fundo não acontece e trabalhador continua no prejuízo.

EUA: tiroteio em escola bate maior número em 20 anos

Segundo relatório, houve apenas 23 incidentes com vítimas fatais durante o ano letivo de 2000/2001.