Os produtos com melhor desempenho em termos de crescimento na pauta exportadora do Brasil são os bens manufaturados, em especial bens de consumo duráveis, afirmam os economistas Luis Afonso Lima e Carlos Eduardo Eichhorn, da Mapfre Investimentos. O dado refuta o argumento de que o desempenho da balança comercial brasileira decorre das nossas exportações de petróleo, com preços majorados desde o início do conflito no Oriente Médio.
O desempenho da exportação de manufaturados ocorreu mesmo em meio às maiores barreiras alfandegárias dos Estados Unidos, importante destino de exportações destes bens. “Isso significa que essa expansão das vendas externas de bens duráveis decorre da conquista de novos mercados”, aponta a análise de Lima e Eichhorn.
“Em resumo, a balança comercial brasileira revela fundamentos importantes para enfrentar a volatilidade dos fluxos globais de capitais que nos aguarda ao longo dos próximos meses. Com isso, nosso déficit em transações correntes segue integralmente financiado por ingressos de investimentos diretos no país, em benefício das nossas reservas internacionais, equivalentes à dívida externa brasileira”, afirmam.
“Ao contrário do passado, entretanto, desta vez o desempenho do nosso saldo comercial não decorre de melhores termos de troca. Trata-se de um quadro qualitativamente superior daquele observado no passado, de dependência de preços externos de commodities para o ajuste do balanço de pagamentos. Daí a resiliência da moeda brasileira”, explicam os economistas.
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A fortaleza da moeda brasileira frente ao dólar vem surpreendendo positivamente. Nossa moeda apresenta evolução mais benigna do que as de outras economias emergentes em 2026. Parte dessa fortaleza deve-se ao desempenho da balança comercial brasileira.
Segundo alguns analistas, o desempenho da balança comercial decorre das nossas exportações de petróleo. Mas Lima e Eichhorn apresentam, além da questão das vendas de manufaturados, mais dois argumentos que ajudam a refutar esse argumento sobre a relevância dos preços do petróleo sobre as nossas vendas externas.
Primeiro, as expectativas de mercado para as nossas exportações de 2026 crescem desde o início do ano, antes do aumento dos preços de petróleo e derivados.
Em segundo lugar, nossas exportações não vêm sendo favorecidas por preços, que vêm recuando. “Além disso, os termos de troca do nosso comércio exterior apresentam declínio neste ano. Ao contrário do passado, quando nosso saldo comercial foi favorecido pelos termos de troca, em especial por preços de exportação elevados, desta vez o crescimento das exportações deve-se à expansão de volumes de bens e serviços exportados. Isso torna nosso saldo comercial menos suscetível aos movimentos de preços de commodities exportadas pelo Brasil e traz resiliência adicional ao nosso balanço de pagamentos”, explicam os economistas.

















